Eu não sou inteira —
sou pedaços que aprenderam a dançar juntos
sem nunca se tocarem de verdade.
Hoje acordo em silêncio,
amanhã viro tempestade,
e no meio…
sou só um talvez.
Je me perds dans moi-même
(e ninguém percebe quando me encontro de novo)
Carrego nos olhos
histórias que não contei,
e na boca
palavras que preferiram morrer antes de nascer.
Há dias em que amo —
com a força de quem nunca foi amada direito,
há noites em que fujo —
de mim, de tudo, de quem ousa ficar.
Sou verso livre
que às vezes implora por rima,
sou rima quebrada
que finge não precisar de ninguém.
I am not what you see,
sou o que escondo no intervalo do meu sorriso.
E se me perguntarem quem sou…
direi com calma:
— Sou mistura.
de dor que floresceu,
de amor que ainda arde,
de tudo que fui
e de tudo que ainda estou a aprender a ser.
E mesmo assim —
há um lugar em mim
onde tudo suspende,
onde os pedaços quase se tocam
e o mundo segura o ar.
É rápido.
Mas basta
pra eu lembrar
que talvez eu não seja só fragmento —
talvez eu seja
esse quase,
antes de me tornar inteira.
Para nunca viver pela metade daquilo que quis ser,pois hoje sou o que sou, bem mais livre da minha maneira, hoje sou inteira por completo, porque entre o que quis ser, o que sou e posso vir a ser, já nada me pode dividir, já não sou o quase, agora, só tudo por inteira!
Eu me disperso em mim
como um vidro que desaprendeu a ser inteiro.
-
Há versões minhas
espalhadas nos cantos do dia —
uma esquecida no fundo da xícara fria,
outra dissolvida no reflexo de vitrines
onde não me reconheço,
mas finjo.
-
Carrego nomes que não terminam em mim,
vozes que ecoam sem origem,
gestos que talvez nunca foram meus.
-
Às vezes, sou intervalo —
entre o que penso ser
e o que me escapa silenciosamente.
-
Há um ruído dentro,
como páginas sendo arrancadas
de um livro que ainda estou tentando ler.
-
E no entanto,
insisto em me reunir
com mãos que não se encaixam,
tentando colar fragmentos
com uma cola feita de memória e ausência.
-
Mas tudo em mim desliza.
-
Sou feita de quase,
de rachaduras invisíveis,
de perguntas que não suportam respostas.
-
E quando me olho mais fundo,
não encontro um rosto —
apenas um movimento,
uma espécie de mar
que nunca aprende
a ser margem.
- Autores: Stiviandra Lume 🥺, Oswaldo Jesus Motta, Amarildo gastão, Bulaxa Kebrada
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 10 de abril de 2026 12:00
- Limite: 6 estrofes
- Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 9

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