Às margens de um rio antigo,
onde o tempo corre sem pressa,
sonha um homem de passos cansados
e alma ainda em promessa.
Traz nos olhos a poeira dos anos,
nos ombros, o peso do mundo,
mas guarda no peito um chamado
silencioso, profundo.
Não deseja mais o ruído das ruas,
nem a pressa que tudo consome,
quer apenas o canto das águas
e o esquecimento do nome.
Imagina uma casa singela,
de madeira, voltada ao luar,
com janelas abertas ao vento
e um fogão sempre a queimar.
Ali, plantaria seus dias
como sementes no chão,
colheria o sossego das horas
e o pão feito à própria mão.
Conversaria com o rio ao entardecer,
como quem fala com um velho amigo,
e nas noites de céu estrelado
encontraria sentido consigo.
Não foge da vida — ele sabe —
mas busca o que nela se perde:
um instante de paz verdadeira
no abraço eterno do verde.
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Autor:
Fael (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 26 de março de 2026 09:33
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos

Offline)
Comentários2
A vida já foi assim... Como os tempos mudam.
Belo poema.
Há ternura no gesto de plantar dias e conversar com as águas.
Eu sinto.
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