A GAVETA

Coutinho

Acho que as flores mofaram dentro daquela pequena caixa  

e a camisa já deve ter perdido todo o perfume 

A verdade é que não faço ideia,  

é apenas especulação 

Eu não consegui abrir a gaveta para ter certeza 

A realidade é que quando eu a abrir tudo terá ficado no passado 

Todos os sentimentos que um dia guardei para eu terão sumido e enfim terei seguido em frente e não serei mais a sua refém. 

E você não passara de uma lembrança  

estranha e engraçada do meu passado,  

aliás apenas mais uma das incontáveis lembranças 

E eu não terei mais perguntas a fazer sobre nós 

Onde erramos? 

Quando nos perdemos? 

Ou melhor, por que nos conhecemos? 

Vai se tornar insignificante. 

Então, quando eu finalmente abrir a gaveta  

você terá sumido,  

terá virado mofo e pó assim como aquelas flores que você me deu  

e eu guardei gentilmente pétala por pétala dentro de uma caixa. 

Acho que não quero te deixar ir,  

acho que não estou pronta, ainda.  

Eu não sou boa com despedidas!  

Estou sempre adiando elas por algum motivo. 

Mas, eu vou abrir a gaveta!  

Eu ainda vou abrir essa maldita gaveta  

e ela vai ser só mais uma gaveta,  

igual a qualquer uma outra.  

Onde eu vou guardar minhas roupas, agendas, minhas bagunças. 

E você terá sumido,  

apenas um fantasma do meu passado. 

 A sua partida me doeu, e você nunca saberá o quanto...

 

Odeio que seja minha gaveta de memorias. 

  • Autor: J.Coutinho (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de março de 2026 09:09
  • Comentário do autor sobre o poema: Tem coisas que não conseguimos só sai se for escrito.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos
Comentários +

Comentários1

  • Arthur Santos

    Belo poema.
    Mas... aberta a gaveta as memórias continuarão intactas porque as memórias não moram na gaveta... moram num sitio onte jamais poderão ser apagadas!
    Portanto podes abrir a gaveta à vontade e usá-la para guardar as tuas roupas 🙂

    • Coutinho

      Eu abri a gaveta. No fim era só uma gaveta mesmo.



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