Lei da Assunção

Gilberto Lima

Não é ao céu que primeiro se fala,
mas ao centro silencioso do próprio ser.
Tudo começa no invisível da consciência,
onde a verdade íntima decide nascer
antes mesmo de o mundo poder vê-la.

A Lei da Assunção ensina um princípio sutil:
a realidade externa não lidera a vida,
ela responde.
O que o homem sustenta por dentro,
com constância e convicção,
ganha forma no palco do real.

Por isso, não se trata de pedir com carência,
nem de esperar com ansiedade.
Trata-se de vestir, agora,
a identidade daquele que já alcançou,
como quem deixa de sonhar de longe
e passa a habitar o próprio destino.

O sentimento é a chave mais refinada.
Não basta pensar; é preciso sentir.
Sentir a paz da meta cumprida,
a solidez do desejo já realizado,
mesmo quando as circunstâncias presentes
ainda insistem em contar outra história.

Assumir não é fingir.
É escolher, com consciência,
qual verdade terá autoridade dentro de si.
E quando o interior se organiza em certeza,
o exterior, cedo ou tarde,
se curva à nova arquitetura da alma.

Assim, a transformação começa em silêncio:
de dentro para fora,
do estado de ser para o estado de vida.
E o que parecia distante
torna-se apenas reflexo inevitável
daquilo que, por dentro, já é.

  • Autor: Gilberto Lima (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 24 de março de 2026 20:24
  • Comentário do autor sobre o poema: Para mim, este poema revela uma verdade elegante: que a realidade não começa no mundo, mas no íntimo silencioso de quem a observa. É como se cada pensamento assumido com convicção fosse um projeto invisível, aguardando apenas o tempo certo para se tornar matéria. Ele me lembra que viver não é reagir ao que acontece, mas escolher quem se é — antes que qualquer evidência externa confirme. E há algo quase poético nisso: quando o ser se alinha, o mundo, discretamente, aprende a acompanhar.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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