Em noites tão calmas como essa, eu me perco em perguntas,
Quando foi que deixei de ser quem eu era sem máscaras?
O espelho já não mostra o mesmo rosto de antes,
Só fragmentos de memórias que ficaram distantes.
O destino escreveu por cima da minha história,
Apagou capítulos, deixou saudade na memória.
Preso num ciclo que insiste em me consumir,
Toda vez que tento fugir… acabo por desistir.
E é sempre você que eu encontro no fim do caminho,
Nas lembranças que aquecem, mas também trazem espinhos.
Saudade de amar sem medo, sem pensar no depois,
De ser tudo pra alguém… e alguém ser tudo pra nós dois.
Mas o tempo não para, ele puxa de volta pra dor,
Arranca-me dos sonhos, lembra quem eu sou.
E eu acordo outra vez, sem saída, sem opção,
Preso nessa realidade que já não cabe no coração.
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Após essa reflexão
isento de autocrítica e de paixão
abandono de vez o velho
e carcomido espelho
fecho os olhos calmamente
e pergunto-me sorridente:
será mesmo que deixei de ser quem eu era?
depois de uma curta espera
a resposta chegou a mim.
posso ter mudado mas gosto de ser assim.
Arhur Santos
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Com o coração leve, eu sigo o chamado do novo amanhecer,
Deixando as cinzas do ontem se dissiparem no vento.
Não mais prisioneiro das sombras que eu mesmo criei,
Encontro na alma a força que sempre esteve latente.
As máscaras caem como folhas secas no outono,
Revelando a essência pura, sem fingimentos ou dor.
Agora eu danço com o tempo, em vez de lutar contra ele,
Teço futuros com fios de esperança e de amor.
Você, que foi espinho e bálsamo em minha jornada,
Vem comigo agora, sem medos, sem promessas vazias.
Juntos reconstruímos o que o destino ousou desfazer,
Num ciclo de renascer, eterno, luminoso e feliz.
Eu te procurei em cada gota do céu
e não te achei,
mas achei pedaços de mim
espalhados entre o azul e o silêncio.
-
O amor que nos consumiu
me deixou sem nome,
sem endereço,
como se minha alma tivesse esquecido
a si mesma no teu abraço.
-
Ainda sinto teu perfume em coisas banais —
na porta entreaberta,
no vinho que sobra,
no riso que ecoa nas paredes do tempo.
-
E me pergunto se é possível ser inteiro
sem caber na memória
daquilo que fomos.
-
Porque ainda sou eu mesmo —
mas não sou mais
quem eu era quando te amei.
No quintal da minha memória
floresceram lembranças que eu não plantei.
O amor passou e deixou sementes de silêncio,
frutificando saudades que não sei colher.
+
Ainda tento me reconhecer
entre os galhos tortos do passado,
onde teu riso ecoa como vento antigo
e minhas mãos buscam, em vão, a tua sombra.
+
Aprendi que crescer depois de ti
é plantar-me em mim mesma,
mesmo que o chão esteja seco
e eu precise regar com lágrimas veladas.
E agora, no limiar do que foi e do que virá,
erguo-me das ruínas como uma árvore antiga,
raízes fincadas no solo da perda, mas ramos ao céu aberto.
O vento carrega ecos do teu nome, mas não mais me arrasta;
transformo-os em folhas que dançam livres, sem peso do adeus.
No espelho do rio, reflito não o vazio, mas o rio inteiro —
correntes que se entrelaçam, passado e futuro em fluxo.
Aprendi que o amor não é posse, mas ponte sobre abismos,
e eu cruzo-a agora, com asas tecidas de cicatrizes e sonhos.
Você permanece como estrela guia no horizonte distante,
mas eu sou o sol que nasce solo, pleno em sua própria luz,
renascendo em versos que não pedem retorno, só voo eterno.
- Autores: PoetadeMarte (Pseudónimo, Arthur Santos, Jairo Cícero, Sezar Kosta, Bulaxa Kebrada
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 30 de março de 2026 16:54
- Limite: 6 estrofes
- Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 14
- Usuários favoritos deste poema: PoetadeMarte
- Em coleções: Daisy.

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