Seja rápido e me conte suas vidas passadas.
Vou guardar todos os seus segredos como se a sorte fosse real
e salvarei suas histórias.
Mas eu até que posso começar a descrever.
Veja bem, em minha vida passada eu era um assassino de renome,
sorriso de europeu e mão de fábula,
correndo para lugares tão opulentos.
Eu, na multidão, me sentindo um camaleão,
sagaz na contramão, sempre um passo ao meu lado.
Fui pego jovem e sem ambição, e as mentiras não me salvariam por tempo suficiente.
Tinha apenas 24 quando a nostalgia me apagou.
Os astutos perdem sua chance.
Na segunda, eu fui contente.
Não tocava nas feridas que eu não podia sarar.
O mundo era um teatro sem roteiro para mim.
Não era grandioso, mas fiz um escarcéu pela serenidade.
Um papo de maresia com amor incondicional,
correr que nem criança e não ser entendido por ninguém.
Uma rima tão quieta que nem valia a pena repeti-la.
Naquela vida que eu escolhi, o acaso me acompanhava feito banana em feira.
A solidão me atacou, e a cidade fugia de mim.
O resto dos meus amigos gritava: “você perdeu”.
Com 29, os divinos me encontraram, e perdi todos os verões.
Os astutos perdem sua chance.
Talvez aquela seria minha sina.
Na terceira, eu tinha um coração doce,
sempre tão charmoso, sempre tão colorido,
reformado para te contemplar.
Morava na mente dos discos e salvava os domingos, que sempre foram tão sólidos.
Mas te prometo que não foi por acaso:
a inteligência nunca sumiu.
Minha primeira amiga, a bola de espelho,
cansou da amizade e decidiu me transformar em safiras.
E, com peso de aquarela, outra trajetória acabava.
Eu tinha 34, numa noite de 93’; eu odiava aquele lugar.
No pensamento, imaginei que o dia duraria mais,
mas a música me prendeu antes da fuga.
E, nessa em que agora sou tão calado,
não consegui reconhecer meus erros.
Se ainda estou tentando falhar na minha esperteza,
com tentativas de ser quase humano,
como se eu tentasse repetir os meus piores delitos.
Os astutos perdem sua chance.
Palavras se apagavam quando eu descobria que o mundo era maior que eu.
Não posso me chamar de erro — seria simbólico demais.
Porém, pensei que escrever com essa liberdade
me levaria ao final da longa estrada do deserto em que eu vivo.
Mas isso não importa — quais são suas vidas?
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Autor:
Smith (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de março de 2026 15:46
- Comentário do autor sobre o poema: Acho que ainda estou tentando encontrar meu estilo e esse poema foi como um desafio para mim! Cansei de escrever poemas introspectivos e cansados; este é mais conceitual, como se eu estivesse vivendo para contar uma história. Mas não sei se seguirei com esses estilo, afinal, o novo poema que estou escrevendo já segue os padrões antigos. Não imaginava escrever algo assim, mas até que gostei.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2
- Em coleções: Talvez eu seja um sonhador. Devastador!.

Offline)
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