A queda de um rei

louisest

Cada vestígio de palavras que eu usei
passou e as coisas mudaram
Neste labirinto para ser um novo rei
eu desmaio e me mantenho encurralado

Esse calabouço que um dia te entreguei
se caíram em ruínas e viraram meus pedaços
E agora toda a história que pra ti inventei
Em verdades se tornaram estilhaços

Não tenho memória do acontecido
Mas olho pra ti e me sinto vencido
Pois tudo que era a glória de uma nação
Virou em instantes as frases do meu caixão


Porque justo agora eu preciso de você?
Logo quando sua mão se encolhe ao me ver
E seu sorriso se faz como um amanhecer
olhando para a terra a fazendo estremecer
Talvez a piedade seja um fruto do passado
E o presente construído por feridas
Não cicatrizaram


Por esse motivo eu sei que vou ficar aqui
Olhando para o chão esperando a resposta vir
E eu penso, sinto, respiro fundo.
Me pergunto: “por que antes não pensei?”
Mas talvez a humanidade disto seja fruto
da implacável crueldade de um rei


Sem coroa eu estaria no mesmo lugar que você
Surgindo da matança, noites claras a remoer
Quem sabe um dia o surto da esperança
Faça com que tudo teime a esquecer
E no futuro essa história de vingança
Viro apenas um papel com histórias à vender.

  • Autor: aiyra st (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de março de 2026 01:52
  • Comentário do autor sobre o poema: sobre pensarmos nas nossas atitudes para com o outro, porque nunca sabemos quando o jogo pode virar e você se tornará o humilhado da vez.
  • Categoria: Conto
  • Visualizações: 2


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.