No meio do caos, eu planto versos quebrados
como garrafas estilhaçadas na sarjeta do mundo.
A vida essa coisa suja, sem manual
escorre pelos dedos
como sangue que ninguém quer limpar.
A cidade grita em neon e ferrugem,
os sonhos apodrecem nos becos
onde promessas foram deixadas pra morrer.
E ainda assim…
a gente insiste.
Amar aqui é um ato anárquico,
é incendiar o próprio peito
só pra iluminar o rosto de alguém
por alguns segundos de eternidade.
É beijo com gosto de fim do mundo,
é toque tremido
como quem segura o último pedaço de céu
antes dele desabar.
Somos restos de algo que já foi puro,
agora cobertos de poeira, vício e silêncio,
tentando escrever sentido
em paredes que já desistiram de escutar.
E quando tudo ruir —
porque vai ruir
quando o amor virar cinza
e a vida só mais um ruído no vazio…
que reste ao menos
essa beleza torta,
esse sentimento bruto,
essa vontade indomável
de sentir tudo
até o fim.
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Autor:
SADE (
Offline) - Publicado: 20 de março de 2026 18:20
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6

Offline)
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