Ninguém ensina como viver
é tentando que aprendemos aos poucos
A gente acorda
sem saber bem por quê
porém levanta e se move
A vezes a gente pensa em parar
mas não para, e continua
O dia não se abre totalmente
nem se fecha –
fica em suspenso
e nós dentro dele
O chão existe
o passo encontra o chão
Você também existe
e angústia nos acompanha
como fazem as sombras
Há de se caminhar com o peso
abrir a janela e deixar a brisa entrar
e entre um passo e outro a vida acontece
e silenciosamente a gente atravessa
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Autor:
joaquim cesario de mello (
Offline) - Publicado: 20 de março de 2026 09:52
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 17

Offline)
Comentários2
Bravo, poeta! Acolhimento da angústia sem dramatizá-la. Poesia que respira junto com a vida. Abraço poético!
Obrigado, Oswaldo pelo entendimento e comentário
Boa noite caro poeta! O título e o início estabelecem que a vida não tem manual. O aprendizado é fruto da tentativa, o que tira o peso da perfeição e coloca o foco na persistência. A imagem do dia que não se abre totalmente nem se fecha, reflete a ambiguidade da rotina. Vivemos em um espaço de dúvida, onde o porquê das coisas nem sempre é claro, mas o movimento persiste. Diferente de outros textos que buscam eliminar o sofrimento, este aceita a angústia como uma sombra. Ela é inerente ao chão e ao passo, algo que nos acompanha sem necessariamente nos impedir de caminhar. A vida não acontece nos pontos de chegada, mas entre um passo e outro. Há um convite à abertura (abrir a janela), sugerindo que, mesmo com o peso, é preciso permitir que a leveza (a brisa) entre. É um poema sobre a travessia silenciosa. Ele valoriza a coragem discreta de quem levanta e se move, aceitando que a existência é feita de sombras e brisas ao mesmo tempo. Meu abraço fraterno.
Bela leitura, querida Vilma. Um verdadeiro texto poético a partir de outro. Tem vida autónoma e própria. Singela metamorfose
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