A ARTE DE VIVER, APESAR DE

joaquim cesario de mello

 

Ninguém ensina como viver

é tentando que aprendemos aos poucos

 

A gente acorda

sem saber bem por quê

porém levanta e se move

 

A vezes a gente pensa em parar

mas não para, e continua

 

O dia não se abre totalmente

nem se fecha –

fica em suspenso

e nós dentro dele

 

O chão existe

o passo encontra o chão

Você também existe

e angústia nos acompanha

como fazem as sombras

 

Há de se caminhar com o peso

abrir a janela e deixar a brisa entrar

e entre um passo e outro a vida acontece

e silenciosamente a gente atravessa

 

  • Autor: joaquim cesario de mello (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de março de 2026 09:52
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 17
Comentários +

Comentários2

  • Oswaldo Jesus Motta

    Bravo, poeta! Acolhimento da angústia sem dramatizá-la. Poesia que respira junto com a vida. Abraço poético!

  • Vilma Oliveira

    Boa noite caro poeta! O título e o início estabelecem que a vida não tem manual. O aprendizado é fruto da tentativa, o que tira o peso da perfeição e coloca o foco na persistência. A imagem do dia que não se abre totalmente nem se fecha, reflete a ambiguidade da rotina. Vivemos em um espaço de dúvida, onde o porquê das coisas nem sempre é claro, mas o movimento persiste. Diferente de outros textos que buscam eliminar o sofrimento, este aceita a angústia como uma sombra. Ela é inerente ao chão e ao passo, algo que nos acompanha sem necessariamente nos impedir de caminhar. A vida não acontece nos pontos de chegada, mas entre um passo e outro. Há um convite à abertura (abrir a janela), sugerindo que, mesmo com o peso, é preciso permitir que a leveza (a brisa) entre. É um poema sobre a travessia silenciosa. Ele valoriza a coragem discreta de quem levanta e se move, aceitando que a existência é feita de sombras e brisas ao mesmo tempo. Meu abraço fraterno.

    • joaquim cesario de mello

      Bela leitura, querida Vilma. Um verdadeiro texto poético a partir de outro. Tem vida autónoma e própria. Singela metamorfose



    Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.