Há coisas em mim que não sei o nome,
mas não se afastam de mim.
São como um quarto fechado há muito tempo,
onde o ar não circula,
mas algo insiste em existir.
Talvez seja o desejo de dias mais claros,
ou apenas o gesto de esperar.
A calma repousa em algum lugar esquecido,
talvez numa gaveta antiga
que fechei sem me dar conta.
O que se foi não grita nem chama,
não chega a bater à porta;
apenas deixa seus vestígios,
como o pó sobre os móveis.
E pesa em mim, silencioso,
como roupa encharcada.
O tempo segue seu curso constante,
mas eu não o acompanho;
permaneço imóvel, suspensa,
como quem perdeu a própria hora
e já não sabe retomá-la.
Ainda estou no mesmo quarto,
diante da janela entreaberta,
movida por um desejo simples:
ver, enfim, algo novo
romper o silêncio e chegar.
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Autor:
Viviane.93 (
Offline) - Publicado: 19 de março de 2026 10:53
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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