Cinzas

abacaxis soam como seu nome

Quando o oceano toca com mansidão 

tudo o que fez parte de mim

e as memórias são afastadas 

como faço para conseguir

pensar sobre aquilo que me machucou?

 

O fogo incessante que você fez nascer em minhas mãos 

que faz parte de mim mesmo quando eu não o seguro

ele me corta como a faca

ele me queima como a lâmina 

 

Se um dia eu fugi de mim

eu sei que estive pensando

sei que não conseguia comer

e as coisas me destruíam aos poucos 

minha fragilidade existente 

descoberta por trás dos espelhos

 

Até mesmo o mar mais calmo

afogaria cada vaso sanguíneo com origem em meu coração 

se tenho medo 

é por um dia ter tido coragem

 

Eu estive em seu funeral

e não era você que estava morto

as larvas dentro de mim foram decepadas

e o que era podre, se tornou ainda mais 

se dissolvo em água foi por culpa do ácido 

assim como uma micela estou envolta por meus olhos

 

Os corredores escuros da minha alma

seguem sendo evitados por mim

se sempre fui assim 

como pude ser diferente?

 

Quando estamos na rua 

e nela existem luzes

que cuidam de lugares cuidados

minhas palavras te afetam 

são como ele

o fundo do tesouro é devorado por traças?

 

Minha mente bate fraca

e corro, grito, falo tudo e cantarolo

para que me vejam e assim eu não possa escutar

submersa subversiva

eu morri afogada

mas meu coração havia gritado tanto 

está tão claro 

mesmo com todas as luzes apagadas

como vocês podem seguir sem ver

eu estou prestes a definhar 

 

 



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