Você me deixou com o tempo.
Levou consigo seu rosto,
a textura de suas mãos,
a lembrança de como é sentir
meus dedos nos seus dedos.
Não há abraço,
nem a euforia de estar ao seu lado.
Sentimento agudo,
todos os dias desejado.
Você me roubou as ideias loucas,
porém formidavelmente datilografadas.
Eu as chamava de composições:
pequenas acelerações
da mediocridade intelectual que tínhamos.
Você me condenou a esquecer
seus olhos abismais
e todo o contraste que existia neles.
O levantar e fechar de suas pálpebras
o mesmo efeito de um blackout
que não se acende mais.
Você levou, poesia,
minha imaginação voraz.
Deixou-me a realidade doméstica,
que não me dói mais.
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Autor:
Cristão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de março de 2026 19:48
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3

Offline)
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