QUANDO A SAUDADE É A NOSSA COMPANHEIRA

MAYK52

A casa continua a respirar

mesmo quando ninguém responde

 

 

Há copos que já não tilintam

cadeiras que aprenderam a esperar

 

Nos cantos da manhã

a luz entra devagar

como quem pede licença

a um coração que já foi festa

 

Houve um tempo

em que o telefone era um pássaro inquieto

em que nomes diferentes

habitavam os meus dias

como estações do ano

 

Amei com pressa

Com incêndios

Com promessas ditas de madrugada

que pareciam eternas

até à próxima despedida

 

Agora o silêncio

é um companheiro disciplinado

senta-se comigo à mesa

caminha ao meu lado na rua

deita-se na metade intacta da cama

 

Às vezes pergunto-me

se a solidão nasce

ou se cresce

nas cinzas de tantos abraços

 

Porque quem viveu rodeado de amor e paixão

não aprende facilmente

a arte de estar só

 

Fica-nos o eco

um riso no corredor da memória

um perfume que não regressa

uma palavra que ainda sabe

o caminho de volta ao peito

 

E no entanto

todos os dias acordo

e preparo café para um

 

Não é tristeza 

é apenas a lenta aprendizagem

de existir

sem tempestades no coração.

 

MAYK52

12-03-2026

  • Autor: Gil Moura (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 16 de março de 2026 11:51
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.