Não termina aqui.
Não pode terminar assim.
Todo fim carrega
a semente de outro caminho:
um passo que chega,
outro que parte
e deixa, em alguém,
o silêncio da saudade.
Algo permanece —
discreto, quase invisível —
um sopro de memória
que ainda nos faz bem,
como lembrança
guardada no tempo.
Porque todo adeus
abre uma porta adiante.
Não termina aqui.
Nunca termina assim.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 13 de março de 2026 15:05
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 15

Offline)
Comentários1
Boa noite caro poeta! Esta poesia é um manifesto sobre a continuidade e transição, focada na ciclicidade da vida. Um passo que chega / outro que parte.
O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O texto foca no movimento constante, onde o fim não é um muro, mas um umbral. Discreto, quase invisível / um sopro de memória.
Há uma leveza etérea aqui que remete ao Simbolismo Espiritualista. A ideia de que o que importa é o sopro, o que resta do que se foi, e não a perda em si. É a valorização do rastro, do que permanece na alma após a partida física. Todo fim carrega / a semente de outro caminho. O autor utiliza a imagem da semente para subverter a dor do término. É uma visão otimista e quase pedagógica, típica da simplicidade profunda. Não termina aqui. / Nunca termina assim. O poema começa e termina com uma negação que, na verdade, é uma afirmação de fé no tempo. A repetição da frase inicial no desfecho cria um fecho poético: o texto se recusa a acabar, espelhando o próprio tema que defende. Parabéns por seu poema! Meu abraço poético.
Ótima noite, poeta! Gratidão pela leitura atenta e pelos comentários! Extremamente feliz ao receber a vossa visita! Um forte abraço poético e uma noite de luz!
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