Verita Serum (Soro da Verdade)

Calebe Correa

Verita Serum

Onde Ela não tem voz, eu não tenho ouvidos. Jaz sempre no silêncio o meu aguilhão;
Como ondas soltas ao vento, há tempos,
Marcos antigos escritos de quando perdi o tato.
Que saudade Dela, que fazia meu martelo tilintar, Minha língua salgar e os meus olhos brilharem.
Ao eterno e não distante, a passos paulatinos, O simples momento em que A ouvi falar.

Oh, Simplicidade, aonde você foi? Por que aranhas e não borboletas?
Por que o muito e não o pouco?
Do que adianta tê-la, cheia de adereços, Se não consigo vê-la com todo o seu preço?
Cansei de não vê-la no espelho, cansei de não tocá-la, Cansei de não tê-la debaixo de minhas mãos.
A Boa Notícia parece singela demais para mim; Temo não ter a real ciência Dela, e sinto muito.
Como o frio que insiste após uma bebida quente, Como a dor latente da solidão,
Como o vazio no vácuo e a morte no caixão.

Tento buscar subterfúgios, pois não pareço contente;
O coração vil grita: "Sarça ardente, não és suficiente!".
O estômago folgado se gaba de sua envergadura, E o sangue coagulado, de sua amargura.
Maldito paladar que só quer o fel! Confia nos olhos que apenas veem um céu
Como miragem no deserto, um frágil anel.
Nunca me bastará o clamor do "dá, dá"; ela tem duas filhas e hoje ela sou eu:
A sanguessuga que não se contenta com a Verdade e caminha rumo à morte.

Que o candeeiro não se mova nem seja retirado — não por mim, mas por Ela.

  • Autor: Calebe Correa (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de março de 2026 23:32
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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