O Silêncio entre Dois Olhares

Eliete Souza

 

Regulei-me ao chegar ao espaço

e meus olhos, inevitáveis,

foram te encontrar.

Controlei-me ao me aproximar

e quase desmontei

ao ouvir o som que ecoava

da tua voz

ao meu nome pronunciar.

Coloquei-me em reserva,

e meus olhos buscavam o vazio

com a certeza silenciosa

de que não resistiria

à tentação

de te abraçar.

No pulsar inquieto do meu corpo

percebi teu aproximar.

E a surpresa do teu corpo,

ao entrelaçar-se ao meu,

fez do instante

um suspiro.

Te encontro

e a atmosfera se transforma:

leve e tensa,

alegre e inquieta,

como se a alma reconhecesse

a profundidade

do que sente.

Reestabeleço-me

e continuo a perceber

teus movimentos

a me observar.

E quando menos esperava

te aproximas novamente

a me tocar.

Fico sem jeito,

me ajeito,

desvio o olhar.

Tenho medo

que meus olhos

te revelem

o que ainda tento guardar.

Você me acompanha ao sair

e o silêncio caminha entre nós.

Brincamos

para quebrar o clima,

mas ele retorna,

insistente,

a se instalar.

Te percebo.

Me percebo.

E novamente nos despedimos,

com a alma

por entregar.

 

  • Autor: Eliete Souza (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de março de 2026 19:36
  • Comentário do autor sobre o poema: Encontros inesperados nos levam a emoções fortes.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 3
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