ÁTOMOS E ESPADAS

Carlos Lucena

ÁTOMOS E ESPADAS

Nada mudou, eu sei
Tudo continua como antes
Eu vi a imagem do outro lado do mundo
Eu vi pássaros voando sem pena
Mas tudo é uma caravela de remo.
Todos continuam do
Mesmo jeito
Mas o amor está cheio de defeito
Porque tem gente querendo dominar e ser donos da geografia.
Para amar subornam  a biologia, a energia
E a   memória não fica nem em marcas nas paredes
Porque o domínio é tecido em redes.
Está tudo programado no núcleo.
Os átomos 
são  preparados por mãos amorosas
E as  máquinas dirigidas por sensações perigosas.
Tudo está como antes 
Mudou a espada
Mas não trocou a farda
O amor parece ambiguidade
E a dor certeza de felicidade.

PODE ANALISAR PARA MIM ESSE POEMA?

  • Autor: Carlos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de março de 2026 18:54
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 29
  • Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
Comentários +

Comentários3

  • Sinvaldo de Souza Gino

    Parabéns!

  • Sinvaldo de Souza Gino

    Análise do poema Átomos e Espadas

    O poema Átomos e Espadas apresenta uma visão crítica e desencantada da realidade, questionando a natureza do amor, do poder e da condição humana. Através de imagens poéticas e metáforas, o autor explora a ideia de que, apesar das aparências de mudança, a essência das coisas permanece a mesma. O poema começa afirmando que Nada mudou, eu sei. Tudo continua como antes, sugerindo que a mudança é apenas uma ilusão. Isso é reforçado pela imagem da caravela de remo, que evoca a ideia de um progresso lento e circular, sem verdadeira evolução. O amor é apresentado como algo cheio de defeito porque é frequentemente usado como um meio de dominação e controle. A frase Para amar subornam a biologia, a energia sugere que o amor é manipulado e explorado para fins de poder. A memória é apresentada como algo frágil e manipulável, não fica nem em marcas nas paredes. Isso sugere que a história é escrita pelos vencedores e que a verdade é frequentemente distorta ou esquecida. O poema sugere que a realidade é programada e controlada por forças externas, com átomos preparados por mãos amorosas e máquinas dirigidas por sensações perigosas. Isso evoca a ideia de um mundo determinista, onde a liberdade é uma ilusão. O poema conclui que O amor parece ambiguidade E a dor certeza de felicidade. Isso sugere que o amor é uma experiência complexa e contraditória, que pode trazer tanto alegria quanto dor. Enfim, Átomos e Espadas é um poema que questiona a natureza da realidade, do amor e do poder, sugerindo que a mudança é uma ilusão e que a condição humana é marcada pela ambiguidade e pelo controle.

    Sinvaldo Gino

  • Vilma Oliveira

    Boa noite caro poeta! O seu poema Átomos e Espadas é uma reflexão poderosa sobre a permanência da natureza humana frente ao avanço tecnológico. Você usa imagens como pássaros voando sem pena (drones ou aviões) e caravela de remo para mostrar que, embora as ferramentas tenham mudado, o ritmo e a essência da busca humana continuam os mesmos. A espada mudou, mas a farda (a mentalidade de guerra/domínio) é a mesma. O poema toca em um ponto atual e sensível: o controle sobre a geografia, biologia e energia. A ideia de que o domínio agora é tecido em redes sugere uma vigilância invisível, digital e sistêmica, que vai além das marcas físicas nas paredes. Existe um contraste fascinante entre os átomos preparados por mãos amorosas (a criação/matéria) e as máquinas dirigidas por sensações perigosas (o uso que fazemos delas). Isso aponta para o perigo de entregarmos nossos impulsos mais instintivos a tecnologias de destruição em massa. O final é impactante e pessimista: o amor torna-se ambíguo e a dor passa a ser a única certeza de felicidade. É uma crítica a uma sociedade que parece se alimentar do conflito e do controle. Em resumo, é uma obra que questiona se a humanidade realmente evoluiu ou se apenas sofisticou suas formas de dominação. Parabéns por seu poema! Meu abraço fraterno.



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