Tento manter o equilíbrio, falo de flor.
Da cor dos olhinhos da esguia lagartixa.
Espicha e encolhe: emoção e razão, o que for.
Por de sol, de velhinha, até d'uma salsicha.
Comicha; então novamente falo do amor.
Calor de dentro que para fora, nos picha.
Ficha completa do sentimento em sabor.
Olor que às vezes, grita e também cochicha.
Capricha em sentir, coração bate: tambor.
Licor de deuses; jamais uma coisa micha.
Esguicha para todo lado seu vigor.
Amor é essa coisa que a gente sabicha.
Rixa jovem, paixão temperada de dor?
Ou senhor ranzinza, cético com barbicha?
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Autor:
Raquel Ordones (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de março de 2026 20:29
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 8

Offline)
Comentários1
Boa noite poetisa! Você quebra a solenidade do falar de amor com elementos do cotidiano quase cômicos (salsicha, lagartixa, barbicha). Isso traz uma leveza autêntica, mostrando que a poesia não precisa ser sempre de mármore; ela pode ser de carne e osso (e embutidos). O uso de verbos como espicha e encolhe, comicha, esguicha e o coração como tambor dá ao texto uma energia física, quase elétrica. O sentimento não é estático; ele vaza, picha as paredes internas e transborda. A escolha dessa rima — sonora, saltitante e um pouco atrevida — reforça o tom. Ela tira o peso da dor e da rixa, transformando o dilema emocional em uma espécie de dança verbal. O encerramento é brilhante ao personificar o amor em dois extremos: a paixão impetuosa (jovem/rixa) versus o ceticismo ranzinza (velho/barbicha). Você deixa a pergunta no ar: o amor é o vigor que esguicha ou a ficha que a gente tenta, em vão, completar? Parabéns pelo poema! Meu abraço poético.
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