Perdição

Ayalah Verônica Berg

 

Amor é queda

De um telhado

 

Olho as flores negras

No jardim em névoa

 

Nunca se cansa

Este olhar

 

Tu és como elas

Flores da sombra

 

E eu caio

Sempre

No teu abismo

 

Pousar em ti

Sentir o arrepio

Desejo que não passa

 

 

Perdição 

de Ayalah Verônica Berg

 

Comentários +

Comentários2

  • Arthur Santos

    Belo poema ao amor.

  • Vilma Oliveira

    Boa Noite poetisa! Esta poesia é carregada de um romantismo sombrio e magnético. O amor aqui não é um porto seguro, mas sim um evento gravitacional, uma entrega inevitável ao perigo e ao desconhecido. A abertura Amor é queda /De um telhado/estabelece imediatamente a falta de controle. Não é um caminhar, é um despencar súbito e irreversível. O uso de flores negras, névoa e sombra cria uma atmosfera gótica. O eu lírico não busca a luz solar, mas se sente atraído pelo mistério e pelo que é noturno no outro. Ao dizer que cai sempre, sugere que esse amor é um vício, um abismo sem fundo onde a queda é eterna e o pousar é um alívio momentâneo, um arrepio que renova o ciclo. Existe uma aceitação da própria vulnerabilidade. O abismo não é algo ruim, mas o lugar onde o desejo reside. É um texto sobre a atração pelo que nos consome. Meu abraço poético.



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