Ponto lotado:
Embarque
Na correria
Parece um parto
No ônibus
Próxima parada: Em pé
Aborrecida
Constrangida
Esmorecida
Malabarista contorcionista
Longe...
Próxima parada: Em pé de guerra
Na mente batalha
Bate cotovelos
Tropeça na fala
Cara fechada
Próxima parada: Sentada
Cansada
Empoleirada
Adormecida
Abraça mochila
Longe...
Todas em rota
Algumas perdidas
Todas ponteiros
Algumas sem pilha
Próxima parada: Seguem
A fofoca interrompida
A parada perdida
O sono fingido
A sacola pesada
Os cabelos grisalhos
Próxima parada: No horizonte
Chuva à espreita
O sol no braço
A cabeça no vidro
Janela aberta
O vento sopra o mormaço
Próxima parada: Na via
Engarrafada
Buzina apressada
O vermelho demora
O verde alivia
A travessia
Próxima parada: No volante
O valente
E não tão
sorridente
Sempre
em frente
Enfrenta buraco
Pisada no freio
Depois acelera
Todos sacudidos
Próxima parada: Após o sufoco
Há muitos suspiros
Também desabafos
De quem está
Esgotado
Próxima parada: Parte da vida
De quem se angustia
Sempre tardia
Uma fantasia
Próxima parada: Desembarque
A Vida é partida
Nunca chegada
E quando se acha
É uma nova partida
Ponto final: Ei, MOTORISTA!
A porta
não ABRIU!
-
Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de março de 2026 11:00
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos

Offline)
Comentários1
Bem conseguidos o ritmo e a musicalidade.
Obrigado
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