Linha Urbana

Francisco Queiroz

Ponto lotado:
Embarque 
Na correria 
Parece um parto
 
No ônibus
 
Próxima parada:  Em pé 
Aborrecida 
Constrangida
Esmorecida
Malabarista contorcionista 
Longe...
 
Próxima parada: Em pé de guerra
Na mente batalha
Bate cotovelos
Tropeça na fala
Cara fechada 
 
Próxima parada: Sentada 
Cansada
Empoleirada
Adormecida
Abraça mochila
Longe...
 
Todas em rota
Algumas perdidas
Todas ponteiros
Algumas sem pilha
 
Próxima parada: Seguem
A fofoca interrompida
A parada perdida
O sono fingido
A sacola pesada
Os cabelos grisalhos
 
Próxima parada: No horizonte
Chuva à espreita
O sol no braço
A cabeça no vidro
Janela aberta
O vento sopra o mormaço
 
Próxima parada: Na via
Engarrafada
Buzina apressada 
O vermelho demora
O verde alivia
A travessia
 
Próxima parada: No volante
O valente
E não tão
sorridente
Sempre
em frente
 
Enfrenta buraco
Pisada no freio
Depois acelera
Todos sacudidos
 
Próxima parada: Após o sufoco
Há muitos suspiros
Também desabafos
De quem está
Esgotado
 
Próxima parada: Parte da vida
De quem se angustia
Sempre tardia
Uma fantasia 
 
Próxima parada: Desembarque
A Vida é partida
Nunca chegada
E quando se acha
É uma nova partida
 
Ponto final: Ei, MOTORISTA!
A porta
não ABRIU!
  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de março de 2026 11:00
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos
  • Em coleções: Urbano.
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