Obsessão Científica

Ana julia Fernandes borba

O carinho

que sinto nos olhos

quando te observo,

deve soar amargo

para você.

 

Amo-te,

mesmo sob o teu desprezo.

Simplesmente não me importo

com o que sentes por mim.

 

Não é amor;

transmutou-se em obsessão.

Nunca me prometeste o teu afeto,

mas, ainda assim,

eu o disseco à espera.

 

És tão belo

que ignoro as tuas falhas.

Em meus delírios, encontro o teu sorriso...

e isso não basta!

 

Oh, meu pequeno espécime,

perdido,

enjaulado.

Tão frágil,

tão vulnerável,

alheio ao próprio destino.

 

Encontro repouso

em teu desespero;

teu olhar de medo

me atrai.

Como o sangue vertido na água

que convoca o mais perverso dos

predadores.

 

O desejo de desvendar-te

jamais será alcançado.

Pois, para ti,

já sou um cientista revelado.

 

Não há como alterar

o que já se consumou.

Não sinto remorso

pelo que te causei,

embora saiba que doeu.

 

Eu te amo, pássaro raro.

Sinto muito... por você.



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