SE EU QUISER FALAR DE DEUS

Carlos Lucena

SE EU QUISER FALAR DE DEUS

Se eu quiser falar de Deus
Não preciso de parábolas 
Nem de livros
Nem de versos.
Se eu quiser falar de Deus
Não vou recorrer aos prantos
Nem vou inventar milagres
Não vou escalar montanhas 
Nem falar línguas estranhas.
Se eu quiser falar de Deus
Não vou gritar nas esquinas
E nem vou fazer comícios 
Vendendo meu candidato nos púlpitos e nos altares
Não farei disso um ócio 
Batendo nas portas dos lares 
Oferecendo o consórcio.
Se eu quiser falar de Deus
Vou fechar a minha boca 
Vou esquecer quem sou eu
Vou suportar minha dor
Pois se quiser falar de Deus
Fale primeiro do amor!

  • Autor: Carlos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de março de 2026 19:27
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Você despe Deus de artifícios (parábolas, livros, línguas estranhas) para encontrá-lo no silêncio e na introspecção.
    O texto ataca diretamente o uso da religião como mercadoria ou palanque político (vendendo meu candidato, oferecendo o consórcio), devolvendo o sagrado ao campo do íntimo. A ideia de esquecer quem sou eu remete ao conceito de humildade absoluta, onde o ego silencia para que algo maior se manifeste. O desfecho coloca o amor não como um sentimento, mas como o pré-requisito e a única linguagem legítima para se referir ao divino. É uma abordagem que prioriza o ser sobre o parecer. Meus parabéns por seu poema! Abraço poético.

    • Carlos Lucena

      Obrigado pelo belíssimo comentário



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