SE EU QUISER FALAR DE DEUS
Se eu quiser falar de Deus
Não preciso de parábolas
Nem de livros
Nem de versos.
Se eu quiser falar de Deus
Não vou recorrer aos prantos
Nem vou inventar milagres
Não vou escalar montanhas
Nem falar línguas estranhas.
Se eu quiser falar de Deus
Não vou gritar nas esquinas
E nem vou fazer comícios
Vendendo meu candidato nos púlpitos e nos altares
Não farei disso um ócio
Batendo nas portas dos lares
Oferecendo o consórcio.
Se eu quiser falar de Deus
Vou fechar a minha boca
Vou esquecer quem sou eu
Vou suportar minha dor
Pois se quiser falar de Deus
Fale primeiro do amor!
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Autor:
Carlos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 9 de março de 2026 19:27
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5

Offline)
Comentários1
Boa noite poeta! Você despe Deus de artifícios (parábolas, livros, línguas estranhas) para encontrá-lo no silêncio e na introspecção.
O texto ataca diretamente o uso da religião como mercadoria ou palanque político (vendendo meu candidato, oferecendo o consórcio), devolvendo o sagrado ao campo do íntimo. A ideia de esquecer quem sou eu remete ao conceito de humildade absoluta, onde o ego silencia para que algo maior se manifeste. O desfecho coloca o amor não como um sentimento, mas como o pré-requisito e a única linguagem legítima para se referir ao divino. É uma abordagem que prioriza o ser sobre o parecer. Meus parabéns por seu poema! Abraço poético.
Obrigado pelo belíssimo comentário
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