AMAR É DESALOJAR-SE
(Luana Santahelena)
O amor entra, muda os móveis emocionais de lugar
e ainda diz que é para o nosso bem.
***
Fico parada na sala de mim
segurando um vaso antigo
que eu jurava combinar com a parede da minha coragem.
***
Ele não pede licença.
Arrasta o sofá das certezas
para perto da janela das vertigens
e instala uma poltrona exatamente
onde eu costumava tropeçar nos meus orgulhos.
***
Reclamar não adianta — ele sempre acha uma fresta.
Já tentei vedar as janelas com argumentos,
mas o amor tem o hábito irritante
de ser vento.
***
Pergunto a mim mesma:
quem autorizou essa reforma?
E minha voz interior, com um sorriso quase maternal,
responde:
você, quando desejou não morrer de rotina.
***
O amor me desmonta
como quem reorganiza uma estante
e descobre livros que eu não sabia ter escrito.
***
No final, você olha em volta e admite:
ficou melhor assim.
***
Ainda estranho a luz batendo diferente
sobre o tapete da minha antiga solidão.
Mas há espaço para dançar.
***
E se tropeço,
já não é nos móveis —
é na alegria inesperada
de caber em mim mesma.
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Dizem que o amor é deixar ir
Não tenho essa maturidade toda
Sei que o amor é sublime
É rosa, é flor é jardim
Existe amor no olhar, no tocar
Amor que escorre em lágrimas
Amor das noites mal dormidas
Amor de toda uma vida
O tempo e o amor juntos
Me tratam como menino.
(Shmuel)
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O Amor mexe com os sentimentos
quando você pensa que sabe de tudo
ele te surpreende com algo mais.
É aconchego, é cuidado é estar
presente quando mais se precisa,
é ferida que dói e não se sente.
As vezes o coração fica ferido
com o Amor, mas é suportável quando
se Ama de verdade.
Mesmo estando longe está perto
e existe sempre uma razão a
mais para se viver.
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Andamos tanto tempo no escuro
acreditando que a noite era um decreto,
e que o teto baixo era nossa única medida.
Veio o amor, quebrou as telhas,
arrastou as certezas para o quintal
e nos deixou nus, no meio do nada.
-+-
Houve medo, sim.
O medo de quem perdeu o mapa e a mobília.
Mas, no silêncio da casa nova,
nossos dedos tocaram o centro do peito
e um clique seco ecoou na alma.
-+-
A sala inundou-se de um sol que não vinha de fora.
E o maior susto não foi a bagunça,
nem o espaço novo para dançar.
O maior susto — o mais bonito de todos —
foi perceber que o fósforo, o pavio e a chama
sempre foram propriedade nossa.
-+-
O amor só abriu a porta.
Quem decidiu não mais viver no escuro...
fomos nós.
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O amor chegou como quem não traz ferramentas
- e ainda assim derrubou paredes com a ponta dos dedos.
Eu vi meus hábitos empilhados no corredor,
os “amanhã eu faço” virando caixas sem etiqueta,
e um retrato antigo do meu medo
caindo de frente, sem moldura, no chão.
Tentei recolher o que prestava:
um resto de orgulho, um manual de controle,
três chaves enferrujadas de portas que eu nem lembrava.
Mas ele já tinha encontrado o interruptor escondido
atrás do quadro das desculpas
e acendido a claridade sem pedir opinião.
De repente, a casa de dentro ficou grande demais
para a vida pequena que eu vinha morando.
As minhas culpas, que antes ocupavam a sala inteira,
viraram só um banco encostado na parede,
e a saudade - essa visita que sempre chegava cedo-
aprendeu a esperar na varanda, em silêncio.
O amor abriu armários que eu chamava de “passado”
e tirou de lá uma coragem dobrada, cheirando a naftalina,
como se fosse roupa de festa guardada para um dia impossível.
Eu disse: “isso vai dar bagunça”.
Ele respondeu com a calma de quem entende o caos:
“bagunça é quando a vida quer caber e não cabe”.
Então eu deixei cair no chão a tentativa de ser invulnerável,
e ouvi o barulho bom de algo quebrando por dentro:
não era eu — era a casca.
E, quando a noite voltou para testar seus velhos decretos,
já não encontrou teto baixo,
nem encontrou tranca nas janelas:
encontrou dança,
encontrou a minha voz aprendendo a dizer “fica” sem prisão
e “vai” sem abandono,
encontrou um coração com cicatriz e ventilação,
e uma placa nova na porta da frente, escrita à mão:
aqui dentro a luz não é visita — é escolha.
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DESALOJAR-SE? QUASE!
O que mais me surpreende, além das limitações,
São válvulas de escape das minhas convicções
Se bato no meu peito como se eu tudo pudesse
Ouço a voz no coração. ‘Poeta aprenda não esquece
'O maior dos sentimentos rege nosso coração
Um Amor se te acolhe, o outro gera emoção’
‘Surgindo de mansinho arrebata como presas
Entre beijos e carinhos, vestes de delicadezas,
Surrupiam nossas horas que trocamos pelas suas
Nosso sol se vai embora, e escondem nossa lua
Traz, as vezes, na memória, alegrias e tristezas
E nos vemos como aquele que vagueia pela rua’
‘Um tiquinho de mistura, como num alojamento
Se bom nado se mistura dores no afogamento
Que fazer na vida assim se não for adivinhão ?
Não existe, no romance só braseiro sem paixão
Aviva e também queima; dá lágrimas e sorriso’
Eu, d'um poema abdicar? Te direi se for preciso:
Se o sol nasce pra todos, um dia ele se oculta
Não me interpretes mau, por favor pare e escuta
Amor manda e desmanda: um requer outro reluta
Quem se alegra pede bis quem sofreu ri e refuta
Tal a alma do poeta, o amor quando perscruta
Num repara e dá alerta e no outro diz 'permuta'
Limitado mas convicto! qual a minha decisão?
Declarar o que suponho já me deu complicação
Peguei malas e me fui pelo 'mundo do meu Deus'
Deparei com os seus versos sugerindo-me escape
Pareceu-me carteado amontoado com os naipes
Tu achava esconderijos e eu procurava os meus
Descobri na sugestão de um certo 'mui amigo'
Se o poeta quer descanso e se 'vê meio á perigo'
Fuja para qualquer lado, modifique suas maletas
-
Aceitei a sugestão. Me apressei pra uma viagem
Abrindo minha mala, eu julguei ser sabotagem
No fundo encontrei: tantas folhas e canetas.
(elfrans silva)
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disseram que o amor é desalojar-se
não tenho a certeza disso
acho que é mais deleitar-se
ou até despojar-se
tudo de mau leva sumiço
mas será que o amor
tem definição?
não tem
não pode ter
o amor é apenas
para se viver
(Arthur Santos)
-
Autor:
elfrans silva (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 9 de março de 2026 17:15
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Spell mesclados

Offline)
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