Prece de um Homem Perdido

Freddie Seixas

Meus pecados batem à minha porta
como vento frio na madrugada.
Eu sei…
não sou digno de erguer os olhos ao céu,
nem de pronunciar teu nome
com a pureza que um dia tive.
Mas ainda assim eu falo.
Talvez eu fale sozinho,
talvez minhas palavras se percam
no silêncio da noite…
mas algo dentro de mim insiste,
algo me empurra para cima
quando tudo em mim já quis cair.
Um grande homem um dia disse
que eu poderia sentir
o sobrenatural da Tua presença.
E eu venho agora,
de mãos vazias
e coração pesado,
entregando o pouco que restou de mim.
Lembra daquele menino?
Aquele que rezava baixinho
antes das provas de matemática,
pedindo só para não decepcionar a mamãe…
aquele que escrevia sua prece num papel
para não esquecer nenhuma palavra
quando falasse contigo.
Ele está aqui.
Só que agora ele tem barba,
cansaço nos olhos
e algumas feridas na alma.
Esse menino virou homem,
e hoje escreve com lágrimas
na esperança de voltar
a ser um pouco do que já foi.
Eu estou ouvindo uma canção agora…
e nela eu te peço:
Guia-me.
Mesmo quando eu duvidar.
Faz-me confiar
mesmo quando minhas pernas tremerem.
Se for preciso,
ensina-me a caminhar sobre as águas
de novo.
Chama-me para mais fundo,
mesmo que eu tenha medo.
Porque se eu me perdi no mundo,
foi tentando caminhar sozinho.
Mas hoje…
como aquele menino outra vez,
eu só quero voltar
para perto de Ti.

 

Por Freddie Seixas 

Comentários +

Comentários3

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! O ponto mais forte é o contraste entre a pureza da criança (que temia a prova de matemática e o desapontamento materno) e o peso do homem (com barba, cansaço e pecados). Você usa a memória como um portal de retorno. A menção de mãos vazias é o ápice da humildade bíblica. Você abandona a tentativa de autossuficiência (tentando caminhar sozinho) para aceitar a vulnerabilidade de ser guiado. A referência a caminhar sobre as águas e ir mais fundo evoca a necessidade de uma fé que desafia a lógica do medo e da gravidade dos erros passados. Parabéns por seu poema! Abraço poético.

    • Freddie Seixas

      Foi pura batida do coração em cada palavra! Obrigado pelo comentário poetisa!

    • Arthur Santos

      Este poema lembra que a felicidade está nas pequenas coisas do dia-a-dia.

      • Freddie Seixas

        O doce sabor da infância e inocência, com o amargo da vida adulta! Obrigado pelo comentário, grande poeta!

      • Sinvaldo de Souza Gino

        Top!!!



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