A vida, com suas curvas e retas,
É um livro aberto, de páginas incertas.
Cada escolha, um verso a se escrever,
Cada momento, um espaço a preencher.
São infinitas as portas que se abrem,
Horizontes que ao longe brilham e ardem.
Do nascer ao pôr, dançamos na trama,
De destinos que o tempo tece e inflama.
Mas há um instante, sereno ou cruel,
Em que olhamos além do papel.
A liberdade de existir, tão rara,
Nos dá o poder de escolher a última fala.
Não é fraqueza, nem simples adeus,
É um ato de coragem perante os céus.
Reconhecer que a vida, por mais que encante,
É um poema finito, mas vibrante.
Entre as flores que murcham e as que desabrocham,
Há um tempo em que vozes ao longe nos tocam.
E se escolhemos o momento de partir,
É apenas mais uma forma de existir.
Não há pecado em cerrar os olhos,
Quando o fardo pesa, e faltam os folhos.
A morte não é fim, nem traição,
É apenas o repouso da criação.
Que haja respeito na escolha final,
Que seja amor o gesto mais cabal.
Pois a vida, em todas as suas faces,
É um caleidoscópio que nunca se desfaz.
Então vivamos, enquanto há luz,
Com infinitas trilhas que o coração conduz.
E no apagar do dia, que reste a certeza,
De que a escolha é o ápice da grandeza.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de março de 2026 08:16
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Um poema sensível e sábio!
Abraços!
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