Caminho.
O mundo levanta poeira
e eu escolho quais grãos grudam na pele.
Ter ar já é um contrato.
O corpo assina todos os dias
com tinta de oxigênio.
Paga Carbono.
Aprendi tarde
que o ruído não precisa cessar —
basta tornar-se ferramenta.
Há vozes que passam
como vento entre janelas abertas.
Outras pedem abrigo
e recebem apenas silêncio.
Durante anos
fui estrada de coisas maiores que eu.
Tempestades atravessaram o peito
sem pedir licença.
Depois vieram os filtros:
portas finas
entre o que chega
e o que fica.
Nem tudo merece morada.
Hoje caminho entre estruturas
como quem atravessa um mercado antigo:
olhos atentos,
bolsos fechados,
consciência desperta.
O mundo oferece mil nomes
para o mesmo sopro.
Eu apenas uso
o ar.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 5 de março de 2026 01:50
- Comentário do autor sobre o poema: Já já digo tudo, mas a origem é por que me chamaram de prepotente e arrogante, quando eu apenas confio em mim mesmo. É tudo tão simples que me causa muuuuuuuuuuuito medo.
- Categoria: Natureza
- Visualizações: 1

Offline)
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