Se eu pudesse voar...

Lucivaldo Moreira

Ah, se eu pudesse voar —
não apenas subir,
mas rasgar os céus,
romper o limite do impossível.

Subiria além das nuvens feridas,
além do azul que cansa os olhos,
o mais alto que meu fôlego permitisse —
mas sem jamais perder de vista o mundo.

O mundo das águas profundas,
dos mares que escondem gritos antigos.
O mundo das florestas que respiram dor e beleza.
O mundo de então…
tão vasto, tão frágil, tão meu.

Quanto mais alto eu fosse,
mais perto de Ti eu estaria.
Porque nas alturas
o silêncio grita o Teu nome.

Lá de cima, tudo se revela:
minha terra árida, sem relva,
meu mar sedento, faminto de esperança.
Vejo minha própria escassez
escancarada na imensidão.

E já não sei
se ergo os olhos ao infinito
ou se os lanço ao abismo abaixo.

Minhas dúvidas me partem ao meio —
entre o chão que me prende
e os céus do Teu amor que me chamam.

Deixa-me atravessar os véus da Tua plenitude.
Sou apenas um sobrevivente,
um corpo cansado sustentado por fé.
Clamo por Tua salvação, ó Senhor!

Não permitas que o vento me despedace,
que a tormenta esmague minhas asas,
que a queda escreva meu fim.

Se eu cair,
que não seja para longe de Ti.

Quero voar mais alto do que o medo,
mais alto do que minhas culpas,
mais alto do que a própria morte.

Quero pousar nos Teus átrios
e ali repousar a alma exausta.

Que essa tempestade não me arranque de Ti.
Sou um moribundo sonhador,
ferido, mas ainda alado,
sobrevoando o infinito
à procura do Teu rosto.

Não me canso de voar.
Não me canso de sonhar.

Mas estou por um fio —
suspenso
neste céu de anil
que tanto me chama
quanto me prova.

  • Autor: Lucivaldo Moreira (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de março de 2026 14:26
  • Categoria: Perdão
  • Visualizações: 2


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