Sentirei saudade das risadas espalhadas sobre a cama,
do contato pele a pele,
do cheiro morno que ficava nos lençóis,
do timbre da tua voz atravessando a madrugada,
do teu olhar — lâmina doce e penetrante —
e do gemido que rompia o silêncio
como promessa.
Saudade dos encontros sem hora,
marcados pela urgência dos corpos,
pela fome desesperada de estar.
Saudade até da ausência
que você deixava ao partir —
esse vazio que se deita na cama revirada
e ocupa o teu lado.
Ah, se estes lençóis falassem...
se guardassem em palavras
o calor do teu corpo sobre o meu.
Fico eu aqui,
no que foi nosso ninho,
entre lembranças, brincos esquecidos,
marcas de dentes e arranhões —
provas de que fomos incêndio.
E os frutos da mulher — e que mulher! —
ecoam em mim como herança viva
de quem, no outro dia, reclama do meu toque
num sussurro quase ameaça:
“Amor, eu...”
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Autor:
L Lacerda (
Offline) - Publicado: 2 de março de 2026 11:09
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 2

Offline)
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