Aprendi que no amor não basta amar:
é preciso caber inteiro no instante do outro.
Estar ao lado não é apenas presença,
é ser abrigo e horizonte,
a varanda que acolhe o olhar,
a rede que embala o silêncio depois do riso,
o chão firme que sustenta o passo da dança.
Aprendi que a amizade verdadeira
não se dobra à geografia dos dias:
ela é ponte invisível entre continentes,
linha secreta que costura o fuso horário ao coração desperto,
agulha que cose o tempo com o fio do afeto.
Aprendi que celebrar a vida
não é marcar datas no calendário:
é reconhecer que cada segundo é único.
E quando a lágrima, hóspede indesejada,
tolda a paisagem e pesa no peito,
ela é apenas chuva passageira —
porque o sol que mora dentro de nós
é mais antigo que qualquer nuvem.
Descobri que o muito do viver não se mede:
ele é a própria medida.
E o que chamamos de alegria
é apenas o nome que demos
ao infinito que cabe num instante,
quando aprendemos, enfim,
a estar plenamente vivos.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 2 de março de 2026 08:54
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3

Offline)
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