Aprendi

Oswaldo Jesus Motta

Aprendi que no amor não basta amar:
é preciso caber inteiro no instante do outro.
Estar ao lado não é apenas presença,
é ser abrigo e horizonte,
a varanda que acolhe o olhar,
a rede que embala o silêncio depois do riso,
o chão firme que sustenta o passo da dança.

Aprendi que a amizade verdadeira
não se dobra à geografia dos dias:
ela é ponte invisível entre continentes,
linha secreta que costura o fuso horário ao coração desperto,
agulha que cose o tempo com o fio do afeto.

Aprendi que celebrar a vida
não é marcar datas no calendário:
é reconhecer que cada segundo é único.
E quando a lágrima, hóspede indesejada,
tolda a paisagem e pesa no peito,
ela é apenas chuva passageira —
porque o sol que mora dentro de nós
é mais antigo que qualquer nuvem.

Descobri que o muito do viver não se mede:
ele é a própria medida.
E o que chamamos de alegria
é apenas o nome que demos
ao infinito que cabe num instante,
quando aprendemos, enfim,
a estar plenamente vivos.

 

Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta!
    Este poema é uma ode à presença plena e à maturidade emocional e uma sabedoria solar e acolhedora.
    Os pilares desta reflexão são:
    Amor como Espaço: O autor redefine o amor não como um sentimento, mas como uma geometria do afeto. Caber inteiro no instante do outro e ser abrigo e horizonte, sugere que amar é um exercício de hospitalidade e suporte.
    A Temporalidade da Amizade: A metáfora da agulha que cose o tempo é belíssima. Ela apresenta a amizade como algo que transcende a distância física e o relógio, funcionando como uma resistência emocional contra a separação.
    Resiliência e Plenitude: A imagem da lágrima como chuva passageira diante de um sol interno mais antigo que as nuvens evoca uma força espiritual profunda. O fechamento define a alegria como o infinito que cabe num instante, celebrando o conceito de Minifilmes (atenção plena) aplicado à vida.
    É um texto de reconciliação com a existência, onde o aprendizado transforma o peso do viver em leveza. Meus parabéns pelo poema! Meu abraço poético!

    • Oswaldo Jesus Motta

      Ótima noite, poeta! Gratidão pela leitura e pelas lindas palavras. Sigo aprendendo... Abraço poético! Uma noite de luz e paz!



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