Poema sobre a vida

Alerrandro Odorico

Num raio resplandecente

De um dia qualquer de sol ardente. Eu desenho o primeiro

Rabisco. De um grande livro

Que começa com um pequeno risco.

 

Correndo o primeiro traço consigo fazer um grande

Carrasco, uma furada de agulha

Que fura um braço.

 

Se uma mochilinha de Ben 10

nas costas faz quartel. A vida começa de verdade e o primeiro

Traço foi concluído num papel

 

Um caderno que tem a identidade, máxima desenho

letras tortas formando um nome

uma mulher sorrindo "vai ser um

grande homem"

 

Vejo uma parede azul e amarela

é grande essa aquarela, entre as

linhas dessa quadra: um homem alto ensina pega bandeira e queimado.

 

Tudo em volta é beleza! magia, sol, mar e flor: pouca tristeza. Entre risos e choros em 8 anos

findo o capítulo "com carinho digo até logo": povo chorando!

 

Num dia qualquer rabisco uma folha cama de solteiro com um colchão duro e uma máquina portáti que mexo com meus dedos.

 

Nessa máquina descubro como voar e atravessar paredes. Descubro pessoas, técnicas e breu e lampejo.

 

De uma dominação a outra consigo teleportar rápido e em um segundo, vôo no cosmos sobrevoando o mundo.

 

Uma fatalidade de uma enfermidade que assolou o mundo, uma nova página se inicia numa nostalgia de um remanescente oriundo.

 

O mundo é impiedoso mostra seu veneno e eu choroso, um oásis me alivia mas seca e rapidamente me deixa na mão de nostalgia.

 

Impiedosamente e importunamente, toma minha vida sem se licenciar. Eu não sei o que se passa e o fim tá longe de chegar.

  • Autor: Alerrandro Odorico (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de março de 2026 21:23
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Parabéns pelo poema!
    Este poema é uma narrativa vibrante sobre o amadurecimento e a transição do mundo analógico/físico para a vastidão digital. O autor utiliza o rabisco inicial como metáfora para o começo da vida, passando pela nostalgia escolar — com referências geracionais como o Ben 10 e as brincadeiras de queimado — até chegar ao isolamento moderno.
    O tom muda drasticamente no final: a máquina portátil (o computador ou celular) torna-se o veículo para o cosmos, mas também o cenário de uma enfermidade (possivelmente a pandemia) que trouxe solidão e o veneno do mundo. É um relato sensível sobre como a tecnologia nos dá o poder de voar, enquanto a realidade, por vezes impiedosa, nos ancora na nostalgia. Meu abraço poético.

    • Alerrandro Odorico

      Você foi extremamente cirúrgica ao apontar o que eu queria apontar no poema...



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