Eu sou o que fica

Ricardo Maria Louro



Eu sou o que fica parado, contra o tempo,

numa espera inútil e cansada,

num espaço aberto, contra o vento,

onde a Alma está ainda agrilhoada.

 

Sou o que fica depois de tudo terminar,

calado, ausente de esperança,

num silêncio abrasador, a chorar,

mas com alguma Fé e Confiança.

 

Sou o que fica vestido de madrugada

com sapatos de silêncio à beira mar

e que caminha numa longa estrada

numa pressa incessante de chegar.

 

Eu sou o que fica sem ficar

a mágoa apetecida sem razão

o triste barco ao cais pronto a largar

a que o destino deu o nome solidão.



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