A chuva caiu sobre a terra velha
Qual ardeu há pouco sob o fogo do sol
Qual tingiu de vermelho o céu
Que dormia indiferente,
A ciência faz milagres,
O paralítico dança vislumbrado
Com um futuro melhor,
Traz ao peito um alívio
Já não aguenta mais tantas dores,
A mente busca o entendimento de si,
Dos pedaços de estrelas
Que compõem o corpo
Esboço do universo caótico,
Tenta entender a loucura
Que confortável senta no banco da praça
Enquanto bilionários se banqueteiam
Com a carne pura de crianças,
Cantando canções de desgraça
Maldizendo a esperança,
O sangue que jorrou dos pratos
Dos podres ricos
Onde o ouro se banha na ferida
É vermelho, como os dos meus irmãos
Derramados pelo chão que piso.
Eles se rirem de nós,
De dentro das roupas de puro linho,
Por entre as soberbas flores de belos jardins
Que ignoram o adubo de corpos.
Entregam-nos miséria e delírios
Os lírios negros de sua morte em vida.
O mal-estar do dia-a-dia,
Talhado meticulosamente
Por essas mentes doentes
Por mãos que operam o medo
No silêncio de suas mansões e gabinetes
Para nos manter amordaçados,
Embriagados com sua loucura,
Aprisionados ao teatro de sombras,
De metas setas que apontam
Para além de nossa capacidade
Produzindo a riqueza de sua cultura
O lixo que garante o luxo e a luxúria
Nesta prisão sem grades
Onde todos somos carcereiros de nós
E dos outros.
Os céus estavam vermelhos no fim da tarde bêbada,
Vermelhos como o sangue que beberam sorrindo esses filhos das putas,
Vermelho como o sangue das nossas lutas.
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Autor:
Well Calcagno (
Offline) - Publicado: 27 de fevereiro de 2026 22:35
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8

Offline)
Comentários1
Sempre é bom externar nossos descontentamentos.
Excelente dia poeta!
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