Ah… como gosto de ver de longe
esses teus lindos olhos de trevo…
verdes como esperança depois da chuva,
verdes que não são só cor ....
são profundidade.
Teu rosto carrega uma calma quase silenciosa,
como quem já atravessou tempestades
e aprendeu a não contar todas.
Os cabelos escuros, curtos,
molduram tua testa como sombra suave de fim de tarde.
A barba alinhada desenha maturidade no teu contorno,
marca discreta de quem tenta parecer forte
mesmo quando sente demais.
Não posso ver teus olhos de perto…
talvez porque de perto doeria mais.
Mas ouço tua voz...
e só ela já atravessa a distância
como se tocasse algo em mim que ninguém vê.
Ah, meu lindo olhos de trevo…
como é bom ver você de longe.
Melhor do que aguentar teu desprezo.
Melhor guardar o que foi leve
do que tocar no que já não me pertence.
Eu sei que nunca poderei te alcançar.
Sei que nem posso querer.
Sei que nunca vou ter um tempo só nosso…
mas nada me impede de sentir.
Meus dias eram tão leves quando você estava neles…
nas conversas, mesmo em grupo,
nos olhares rápidos que fugiam e voltavam,
nas brincadeiras que me faziam sorrir,
quando lembrávamos de algo
e ficávamos vermelhos de vergonha,
como dois adolescentes pegos no próprio sentimento.
O brilho nos teus olhos…
como eu amava ver teus olhos brilharem.
Havia ali uma doçura escondida,
uma chama que quebrava a seriedade do teu semblante.
Teu olhar entregava mais do que você dizia....
e eu lia, mesmo em silêncio.
Mas hoje guardo na lembrança.
Guardo você no meu coração
com um imenso carinho…
com esse sentimento de te querer pertinho,
mesmo sabendo que nunca mais
verei aquele brilho como antes.
Sim…
meu lindo olhos de trevo…
é assim que eu te descrevo.
Não só pela cor rara,
não só pelo verde que me fazia perder o chão,
mas porque, como um trevo,
você foi sorte e milagre
em um tempo curto demais ...
e mesmo distante,
continua florindo dentro de mim.
E ainda que o tempo siga ligeiro
e o destino escreva outro enredo,
meu querido e belo olhos de trevo
continua sendo meu verso mais sincero.
Mesmo longe, mesmo em segredo,
mesmo sem toque ou enredo,
és chama viva no meu degredo,
meu refúgio mudo, meu doce enlevo.
Porque se hoje te guardo em silêncio,
é no poema que me atrevo ...
a confessar que, dentro do peito,
meu querido e belo olhos de trevo
continua sendo meu muso inspirador…
a razão mais bonita do que eu escrevo.
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Autor:
Consulado (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de fevereiro de 2026 21:37
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Consulado Ikaliituc🌻🍀

Offline)
Comentários1
Um bonito texto!
Abraços a poet!
Muito obrigada!
Abraços poéticos!
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