EVIDÊNCIA ALUCINANTE

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Não adianta pedir pra voltar a ser como antes

Nada vai colar a taça de cristal mais brilhante!

Não tem como se transformar em redenção...

Um sentimento que estraçalhou meu coração.

 

Não tem jeito de tudo se tornar tão de repente

Num mar de rosas perfumadas de águas quentes

Num paraíso com Adão e Eva sem pecados...

Tão inocentes, mas logo depois recuperados...

 

Não tem sentido continuarmos fingindo a dois

Acreditando que tudo vai se resolver depois...

Que nós somos um casal tão privilegiado...

E para sempre nós vamos viver lado a lado!

 

Não tem propósito adiar a nossa despedida

Tudo já está perdido não temos outra saída

Ficar alimentando este sonho é simples delírio

Ficar se iludindo em vão é quase um suicídio.

 

Mas, se tu queres enganar o tempo inteiro...

Provar ao mundo que tu és mais um forasteiro

Que venceste essa batalha mais importante...

Perdeste a guerra nessa evidência alucinante!

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de fevereiro de 2026 20:18
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este poema: O uso da "taça de cristal" é preciso. O cristal, embora nobre e brilhante, é frágil; uma vez estraçalhado, a colagem nunca devolve a transparência original. Você aplica isso ao sentimento: não é apenas o fim do amor, mas o fim da confiança estética na relação. Ao citar Adão e Eva, você desconstrói o mito do amor perfeito. Ao dizer que "não tem como" ser um paraíso sem pecados, você aceita a natureza humana falha e recusa a fantasia de que o casal é "privilegiado" ou imune ao desgaste. A repetição do "Não" no início de quase todas as estrofes (Não adianta, Não tem jeito, Não tem sentido, Não tem propósito) cria um ritmo de martelada. Isso reforça a decisão tomada e fecha as portas para qualquer tentativa de convencimento do outro. O verso "se iludir em vão é quase um suicídio" é fortíssimo. Ele eleva o ato de fingir a um nível de perigo vital, sugerindo que manter a mentira custaria a própria existência emocional da voz poética. Na última estrofe, você usa um tom sarcástico. Você concede a "vitória" ao outro ("venceste essa batalha"), apenas para revelar que essa vitória é vazia: ele ganhou o argumento ou o momento, mas perdeu a relação ("perdeste a guerra").
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9


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