Peso Mudo

Consulado Ikaliituc🌻🍀

O que é a morte?

É o silêncio que grita por dentro.

É o cansaço de continuar quando tudo dói por dentro.

 

E a vontade de morrer?

É quando a alma implora descanso

e o coração não sabe mais o que fazer para não doer.

 

Você já teve uma dor tão grande

que parecia maior que o próprio corpo?

Que não passava…

nem com remédio,

nem com distração,

nem com oração?

 

Uma dor que fazia você querer não existir,

não por ódio da vida…

mas por exaustão de sentir?

 

Eu já passei por muitas dores nessa vida.

Sei que não chegam perto das dores de algumas pessoas…

mas ainda assim doeram em mim.

 

Eu já fui muito grata.

Muito.

Mas ultimamente eu paro…

e penso…

o quanto eu sou errada.

O quanto eu estrago tudo.

O quanto eu sou culpada.

E, às vezes… me sinto nada.

 

Tem dias que eu me sinto alguém importante ...

no abraço das minhas filhas lindas,

que me amam com um amor que me salva.

 

Ou quando alguém percebe algo em mim

e me diz uma palavra boa,

ou quando alguém para

e pergunta se eu realmente estou bem….

e espera a resposta.

 

Mas tem dias…..

em que pensamentos escuros voltam.

E a culpa me visita de novo,

como se nunca tivesse ido embora.

 

Eu tento me animar.

Eu tento.

Mas às vezes tomo um calmante

só para não sentir tanto.

Para amortecer.

Para sobreviver à noite.

 

Quando não tomo…

o desespero vem cru.

A dor vem sem filtro.

A culpa aperta o peito

e parece que eu não vou aguentar.

 

Eu engulo o choro o dia inteiro.

Seguro o sorriso.

Finjo estabilidade.

 

Mas na madrugada…

quando todos dormem…

eu levanto em silêncio

para poder chorar sozinha.

 

Eu estou vivendo anestesiada.

Culpada.

Enlutada.

Decepcionada.

Desprezada.

 

Tem dias que eu me sinto ninguém.

Como se eu não pertencesse a lugar nenhum.

Como se estivesse sempre deslocada…

mesmo rodeada de gente.

 

Não consigo me concentrar.

Porque tudo volta.

A dor.

O luto.

A perda.

A culpa.

A impotência de estar em um lugar

desejando estar em outro...

ou talvez desejando ser outra.

 

Tem dias que eu imagino

como teria sido minha vida

se eu tivesse tido minha mãe

por mais tempo.

 

Eu tinha nove anos.

Nove.

E desde então

eu venho acumulando lutos.

Perdas.

Abandonos.

 

E isso machuca

num lugar que ninguém vê.

 

Eu escolhi viver aprisionada, calada, sufocada,

pra fugir, pra não reviver, pra tentar sobreviver,

pra esquecer o que vivi… o que doeu e ainda está aqui.

 

Carrego no peito um sentimento que não sabe ir embora,

mas aprende, em silêncio, a se recolher quando não é acolhido lá fora.

Sinto demais… e guardo quase tudo,

porque nem todo sentimento encontra abrigo no mundo.

 

Vivo num cativeiro que eu mesma criei,

paredes que levantei,

medos que alimentei,

silêncios que abracei.

 

Até quando vou aguentar eu não sei,

quanto desse peso ainda suportarei.

 

Eu queria o perdão

de quem magoei

mesmo sem intenção.

 

Feri alguém mesmo sem querer, sem perceber,

no medo de perder, acabei por me esconder.

Se magoei, não foi por mal, foi sem intenção, foi confusão do coração.

 

Perdoe… se puder compreender,

perdoe por eu ainda estar aprendendo a viver,

tentando não errar mais do que errei,

tentando ser melhor do que ontem eu fui e falhei.

 

Eu tenho culpa de tudo… carrego esse peso mudo,

culpas que causei, marcas que deixei,

erros que reconheci tarde demais… e chorei.

 

Queria tanto que você soubesse o quanto eu me sinto mal por tudo,

o quanto isso ecoa em mim, profundo.

E o quanto eu queria o teu perdão,

como quem implora paz para o próprio coração.

 

O quanto eu queria que pelo menos não fingisse que não existo…

porque o silêncio dói mais do que qualquer conflito.

Esse alguém foi algo tão bonito… tão infinito dentro do que foi vivido,

algo que marcou… que começou bonito…

e em mim, ainda permanece escrito.

 

Queria chorar sem medo, sem carregar esse segredo.

Queria me sentir pertencente....

verdadeiramente presente.

Queria me sentir parte

do ambiente onde trabalho,

onde vivo,

onde existo.

 

Queria voltar a sorrir de verdade.

Cantarolar sem peso.

Abraçar sem medo.

Chorar sem me esconder.

 

Queria sentir…

sem querer partir.

 

Mesmo doendo… ainda escrevo.

Ainda sinto.

Ainda espero que, em algum lugar entre as palavras e os silêncios,

você consiga me ouvir…

E me perdoe…

E não mais me despreze ..

pra eu me sentir pelo menos um pouco mais leve,

pra tirar um pouco desse peso e dessa culpa que me corrói,

Foi algo tão bonito 

Mas que agora gerou tanto atrito

 

porque no fundo…

 

eu não quero a morte.

 

Eu quero descanso.

Eu quero paz.

Eu quero perdão.

Eu quero viver…

 

sem que o silêncio grite tanto dentro de mim.

 

E então…

a vida segue.

  • Autor: Consulado (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de fevereiro de 2026 17:27
  • Comentário do autor sobre o poema: Poema escrito numa madrugada
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 4
Comentários +

Comentários1

  • alguem que sente

    profunda
    são tantas dores
    mas voce escreve com uma profundidade e deus te deu esse dom
    voce é alguem profunda e intensa e se orgulhe disso
    nenhum erro define voce
    tente conversar e pedir perdão
    não carregue tanta dor no coração
    você merece o perdão
    não merece o desprezo
    fique em paz e se precisar estarei nos versos na página ao lado
    Abraços poéticos



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.