A noite se fecha como um punho entre meus lençóis,
e minha mão, cúmplice da memória, percorre minha própria pele
como se buscasse o mapa das tuas tatuagens.
Fecho os olhos para que o escuro te traga:
sinto o roçar do teu quadril e invoco meus santos
enquanto meus dedos imitam o caminho que fariam em você.
Na minha boca, o gosto de um milagre faminto;
meu fôlego se torna o de um animal selvagem, acuado pela falta.
Imagino o peso do teu corpo e, sob o ritmo da minha palma,
ergo meu mastro pronto para naufragar na tua ilha.
Cada movimento é um verso dedicado ao que está entre as tuas pernas,
uma primavera febril que faço brotar na força do meu pensamento.
O desejo declina meus tabus um a um.
Visualizo minha boca descendo, queimando a pele do teu pescoço,
enquanto meus dedos apertam o vazio buscando teus seios.
A aceleração é o compasso de um coração que quer sair do peito;
deslizo suavemente, num vaivém de fúria e carícia,
como se estivesse, enfim, penetrando a fronteira dos teus joelhos.
O dia pode vir, mas agora sou eu quem interfere no tempo.
Neste rito de carne e sombra, não há distância:
meu corpo pulsa sozinho, mas é o teu nome que dita a batida,
até que o milagre aconteça e eu me derrame, enfim, na tua ausência.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 26 de fevereiro de 2026 16:53
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Charles Araújo

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