Croissant ou paz?

Castrovsk

Achei que podia existir,

Sol reluzente que aquece a manhã,

Suco de fruta natural,

Pão integral com geleia de goiaba e maçãs,

Manteiga Polenguinho sem sal.

 

Corrida matutina,

Beira da praia,

5 km e tal.

 

Banho com rotina de hidratação,

Trabalho com carro elétrico, sem emissão,

Academia privada com assistente virtual.

 

Famoso sujeito, moro num país tropical.

 

Eu sempre busquei a perdição,

Hoje eu peço petição

 

Pra não me render ao que quase não me dava paz.

 

Eu tava em busca da perfeição,

Quando, na real,

Só precisava encontrar meu eu ideal.

 

O ideal: ponto de vista perfeito

Daqueles que já não enxergam mais.

 

Menos cinza, mais azul.

 

Bater o carro e se preocupar com quem se machucou mais.

 

Tentar não mandar tomar no cu

Quando a palavra já não é eficaz.

 

Agradecer pelo serviço alheio,

Que só é alheio

Pra quem vive a vida em paz.

 

Saber que xingar na razão

Só perde tesão pra:

“Relaxa, não foi nada demais.”

 

Nas coisas simples que me pedem,

Eu enxergo uma imensa vala de dificuldade.

 

Xingo com muito palavrão,

Ajo igual um cuzão,

Não volto nas palavras,

E o ego me domina,

Quase me denomina.

 

E eu ainda quero falar de paz.

 

É assim que vai…

 

Eu tô mais perto do croissant no café da manhã

 

Ou da paz que tanta falta me faz?



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