O vento balança as folhas do açaizeiro
Que chegam a tocar o telhado,
Enquanto eu empurro minha rede,
Ouvindo o rangido do armador barulhento.
Esforço-me para desviar dos respingos
Da água da chuva que inunda meu chão.
Esta tempestade não será fácil.
As árvores se contorcem, quase a quebrar.
Minha vida também resiste assim.
Pela janela da varanda, o caos se intensifica.
As correntes descem ribanceira abaixo,
Levando consigo as coisas frágeis e instáveis.
Oxalá eu receba essas correntes!
A cada pingo em meu telhado, uma lembrança —
Lembrança daquilo que já passei,
Daquilo que, sufocadamente, estou passando.
Mas o futuro nos reserva surpresas.
Enquanto minha rede balança, tenho cuidado
Com os respingos que tentam me alcançar.
Espero que a chuva passe,
Que cessem os vendavais,
Que eu possa voltar a dormir em paz.
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Autor:
Lucivaldo Moreira (
Offline) - Publicado: 23 de fevereiro de 2026 13:38
- Categoria: Natureza
- Visualizações: 2

Offline)
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