Chamaram-me de louca
porque recusei o espelho
que só refletia o que esperavam de mim.
***
Troquei a bússola alheia
por um ímã no peito —
desregulado, dizem.
Eu digo: vivo.
***
Se ser sensata é podar
as próprias asas
para caber no teto baixo da aprovação,
prefiro bater a cabeça no céu.
***
Minha loucura não é ruído,
é nitidez demais.
Vejo as grades
que chamam de “jeito certo”.
***
Rasgo o manual.
Assino meu erro com glitter.
Faço da dúvida um palco.
***
Sou excesso, sim —
de riso, de risco, de mim.
***
E se isso é delírio,
que me deixem delirando lúcida
na contramão do previsível.
Assim sou eu livre leve e solta
Não me prendo a nada e nem a ninguém
a liberdade é meu lema
me aceite do jeito que sou.
Tenho minha luz própria não
vivo nas sombras de ninguém.
Nessa contra mão do previsível
vivo sem amarras
acreditando sempre na força do sobrenatural
que aos poucos tece minhas loucuras existenciais.
Carrego tempestade no bolso
e ainda assim me chamam de exagero —
como se o mundo não fosse feito
de coisa grande por dentro.
Eu não grito por vaidade:
grito porque a minha voz
aprendeu a não caber na gaveta.Se tento me medir, a régua quebra.
Se tento me explicar, a frase falha.
Não é confusão:
é que eu sinto em volume alto
o que muita gente vive no mudo.Eu faço do “não pode” um empurrão.
Do “vai dar errado” um ensaio.
Do “que feio” um brilho.
Me ensinaram a ser pequena
pra ser amada sem susto —
e eu desaprendi com gosto.Tenho cicatrizes que viraram janela,
tenho quedas que viraram ponte,
tenho perdas que viraram bússola
e apontam sempre pra mim.
Quem disse que firmeza é linha reta?
Eu sou curva, sou maré, sou vento teimoso
batendo na porta do impossível
até ele lembrar que também cansa.Não me peçam calma
quando o meu sangue é faísca.
Não me peçam jeito
quando o meu jeito é ser inteira.
Eu me escolho —
mesmo torta, mesmo intensa, mesmo humana —
porque a única prisão que eu temo
é voltar a ser rascunho.E se insistirem em me chamar de louca,
que chamem.
Eu sigo.
Com a liberdade acesa no peito,
na contramão do previsível,
delirando lúcida
com a coragem de existir sem pedir tradução.
Chamam-me louco
porque sigo o vento como uma folha seca,
porque não obedeço às raízes da terra
nem às linhas retas que traçam nos mapas.
Mas o vento,
esse sim,
sabe para onde ir sem perguntar.
-+-
A vida ensina a ser pedra,
mas eu escolhi ser água.
Deixo-me cair pelas margens,
desmancho-me,
esqueço a forma que me deram.
Ser água é não se importar em errar o caminho,
porque o erro faz parte do rio
que encontra sempre o mar.
-+-
Minha loucura é lúcida:
vejo as grades que os outros chamam de horizonte.
Saio à rua com sapatos desamarrados
para tropeçar no imprevisto
e beijar o chão como quem descobre um continente.
-+-
Dizem que errar é perder-se,
mas eu nunca quis ser encontrado.
Prefiro o erro ao acerto,
porque o erro tem o gosto das estrelas cadentes:
vive um instante e morre.
O acerto dura uma eternidade,
mas é uma eternidade vazia,
como uma pedra que não se move.
-+-
Chamam-me louco,
mas o louco é só aquele que vê
o que os outros não querem olhar.
Eu vejo o vento,
e isso basta.
A existência humana
é sinfonia sem acorde definido,
sem partitura decorada,
nasce no improviso do fôlego
e se sustenta no risco do próximo compasso.
Não se rege pelo que é ensaiado,
mas pelo pulsar insistente do coração,
que dá o tom enquanto aprende a tocar.
***
Sentir é ouvir a orquestra do mundo
puxando o ritmo do que a vida exige —
às vezes em descompasso,
às vezes em silêncio,
mas sempre seguindo adiante,
na contramão do previsível.
[poema de Josi Moreira]
Erros e Acertos
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Toda a vida á esperar
O amor que nunca vem
Pode alguém me reparar
Que eu vivo sem ninguém
Como não me preocupar
Se ela vive só também?
-
Quem sabe dia desses
Me repare de outro jeito
Como se'ela conhecesse
Que tenho lá esse “defeito”
De escutar meu coração
Tão carente e imperfeito
-
Seu olhar diz tanta coisa
E esconde mil segredos
O olhar que em mim repousa
Estremece e mete medos
Minha mente tâ confusa
Se concordo mostra o ‘dedo’
-
Tente alguém me ajudar
Entender tanto mistério
Como hei de contrariar
Se lhe tenho amor sincero?
Tendo eu modos de amar
Não tem ela seus critérios?
-
Talvez um dia entendamos
Que um amor se recontrói
Se um do outro desfrutamos
Por que chorar só quando dói?
Se minha musa e eu erramos
Na guerra somos dois heróis
(Elfrans Silva)
"Desajustado, Mas Belo”
Desajustado, mas belo, nasceu do empírico,
Da simples vontade de querer,
De um impulso.
Sem roteiro escrito,
Apenas luz que quer brilhar,
Apenas asas que querem voar,
Mesmo que tentar signifique fracassar.
Longe de ser sensato ou lógico,
Apenas me deixo levar
Para sentir cada brisa,
Cada pequeno toque
Que me faz sentir vivo.
Viver é acreditar,
É experimentar,
É desafiar o impossível
E criar novas páginas...
_PoetadeMarte_
Não me curem da coragem,
nem me ofereçam repouso
em camas feitas de medo.
Eu prefiro o tropeço honesto,
a vertigem que abre portas,
e a fé teimosa de seguir
com o peito aceso —
mesmo quando ninguém entende.
- Autores: Bulaxa Kebrada (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Jairo Cícero, Sezar Kosta, Elfrans Silva, PoetadeMarte
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 10 de março de 2026 10:30
- Limite: 10 estrofes
- Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
- Comentário do autor sobre o poema: Disseram que eu estava errada por não aceitar o papel que escreveram para mim, mas escolhi confiar na minha própria intuição, mesmo que ela pareça desajustada aos olhos dos outros. Preferi arriscar e aprender com minhas quedas a viver encolhida para caber nas expectativas alheias. O que chamam de exagero é só intensidade; o que rotulam de desatino é clareza demais para um mundo acostumado a obedecer sem questionar. Se seguir meu próprio caminho parece imprudente, então que seja — há mais verdade em viver com coragem do que em existir por aprovação.
- Categoria: Não classificado
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