Exegese do Teu Corpo

Versos Discretos

Esquece o silêncio. Quero a tua voz interrompida,
O som do fôlego que trava quando o verso é carne.
Vou ler a tua garganta com a palma da minha mão,
Um aperto firme, o peso exato da minha dominação,
Enquanto os teus olhos me imploram para que eu não pare.

Meus lábios não recitam, eles devoram.
Vou traduzir a curva plena dos teus seios,
Lendo a ponta rígida que denuncia o que sentes,
Mapeando com a boca os teus desejos latentes,
Até que o teu gemido seja o único ritmo que nos resta.

Vou folhear as tuas coxas com dedos famintos,
Abrindo as páginas de um santuário molhado e quente.
Meus lábios marcam o caminho até o teu quadril,
Que balança sob o peso de um desejo febril,
Escrevendo em tua pele o que a mente apenas sente.

Vou abrir caminho com o hálito e a pressa,
Até que minha língua encontre a tua flor aberta.
Vou ler cada pétala, o relevo, a pulsação,
Provando o néctar que transborda da tua rendição,
Nessa escrita úmida que a minha boca acerta.

Meus lábios mergulham na tua gramática mais funda,
Buscando o ponto exato onde a tua alma estremece.
Vou te ler com calma, com o peso da minha saliva,
Até que sejas só espasmo, só entrega, só vida,
Enquanto o meu toque te incendeia e te enobrece.

Deixa-me ler o teu centro, a tua estrofe mais úmida,
Onde a poesia se torna pulso e saliva.
Vou te consumir até que não sejas mais livro, nem rima,
Apenas o corpo que arqueia, que se entrega e se assina
No rastro do meu fogo, na minha leitura viva.

  • Autor: Versos Discretos (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de fevereiro de 2026 08:31
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 4


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