O Templo da Carne

Versos Discretos

Meus dedos mergulham em teu mel destilado,
No covil onde o vício se faz batizado.
Pérolas densas, em rastro de seda e sal,
Umidade que suspende o tempo e o mal.

Teu olhar é o mar que o horizonte devora,
Enquanto minha língua em tua pele demora.
Um nó no estômago, vertigem que invade,
Segredos selados na mais pura ansiedade.

Erijo-me em arco, geometria do prazer,
Cúpula e carne prontas para o teu ser.
Requinte que vibra em impulso latente,
O bicho que acorda em luxo fervente.

Teu corpo se molda, curvatura de espanto,
Meus lábios na fenda, o sagrado e o profano.
A visão se desnuda em geometria rara,
A curva perfeita que a mente dispara.

O inferno oscila em ondas de lava e mel,
Príapo em chamas sob o teu próprio céu.
Teu sulco me chama, em entrega insolente,
A doce obediência de um fogo presente.



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