Pirar e Respirar

Brunna Keila

Pirar e Respirar

Tem dias em que a cabeça vira vendaval.

Os pensamentos correm descalços, batem nas paredes do peito,

fazem eco.

É como se o mundo inteiro resolvesse gritar

ao mesmo tempo.

E a gente…

a gente quase pira.

Pira quando o coração dispara sem aviso.

Quando a saudade aperta.

Quando o medo inventa histórias que ainda nem aconteceram.

Quando o cansaço não é do corpo —

é da alma.

Pirar é humano.

É o corpo dizendo: “eu não aguento tudo isso sozinho.”

Mas no meio do caos existe um gesto pequeno,

simples, quase invisível —

respirar.

Respirar é um milagre silencioso.

É o ar entrando como quem diz:

“calma… ainda há espaço.”

Inspira.

Segura.

Solta devagar.

A vida não se resolve inteira em um segundo,

mas se organiza em um fôlego de cada vez.

Pirar é tempestade.

Respirar é abrigo.

E talvez a maturidade não seja nunca enlouquecer —

mas aprender que, mesmo quando a mente corre desgovernada,

os pulmões continuam fiéis,

lembrando que ainda estamos aqui.

Entre pirar e respirar

existe um intervalo sagrado:

o instante em que você escolhe ficar.

E ficar

já é coragem.

  • Autor: Brunna Keila (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 21 de fevereiro de 2026 20:54
  • Categoria: Espiritual
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Yves de Sá


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