Guardei teu nome
no bolso do casaco
aquele que ainda cheira a chuva antiga
e a ônibus das seis e vinte.
Às vezes encontro um fio teu
preso na dobra da manga —
não sei se é cabelo
ou memória inventada pelo tecido.
Dobro de volta.
Como quem devolve um segredo ao armário.
Ontem abri a janela
e o ar entrou frio, quase azul.
Ficou pairando na sala
feito visita que não senta.
Eu pensei em te chamar
mas era só o vento
esbarrando nas cortinas
com cuidado demais.
Não digo que sinto.
Eu arrumo a cama
do teu lado também.
Às vezes durmo atravessado,
ocupando o espaço inteiro —
como se quisesse provar
que não falta nada.
E no meio da madrugada
minha mão procura
o lugar exato onde
o lençol conserva
um pouco mais de calor.
21 fev 2026 (11:20)
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Autor:
Melancolia... (
Offline) - Publicado: 21 de fevereiro de 2026 10:20
- Comentário do autor sobre o poema: Para não passar o final de semana em branco...
- Categoria: Carta
- Visualizações: 5
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