Diante do alvo pergaminho de tua pele,
Minha pena hesita, trêmula de desejo contido,
Antes de desatar os nós de seda da primeira estrofe.
Vou te despindo de metáforas e adjetivos vãos,
Revelando a nudez crua da tua sintaxe,
Onde cada curva é um verso que clama por ser lido.
Meus lábios, tradutores de um anseio antigo,
Percorrem os relevos de tua anatomia poética,
Beijando a margem de teus flancos com a urgência da rima.
Sinto o aroma do estro que de ti emana,
Uma fragrância de musa e de fêmea,
Que incendeia o verbo e torna a tinta rubra.
Com a língua vernácula, exploro teus abismos,
Mergulhando no cálice onde a vida se concentra.
Ali, onde a poesia se faz carne e secreção,
Sorvo o néctar sagrado de tua flor mais secreta,
Em movimentos rítmicos, cadenciados pela sofreguidão,
Até que o gemido se torne a métrica perfeita.
O sangue pulsa nas veias, esticando a frase,
Enquanto o meu ser, em riste, busca o teu centro.
É o momento da epifania, do choque das substâncias,
Onde o autor e a obra se fundem num único espasmo.
No ápice do verso, na explosão do ponto final,
Derramo em ti toda a gênese de minha alma,
Exausto, sagrado, em um silêncio de pós-escrito.
-
Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 21 de fevereiro de 2026 07:49
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 3
- Em coleções: Musas que Marcam.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.