Como pétalas que caem

V. Pacheco

Assim como existo hoje,
não sei se existirei amanhã.
O vento pode passar por mim
e, junto a ele, meu fôlego se esvair.


Quando achares que carregas o tempo no bolso,
lembra-te: é o tempo que te tem.
E seus ponteiros continuam a correr,
mesmo sem pilhas.


Não dá para retê-lo.
Verás o tempo escorrer pelos dedos.


Vaidade… tudo é vaidade.


Como a flor do campo florescemos
e, por um pouco de tempo, somos viris e vistosas.
Mas não eternas nesse solo da vida.
Murchamos, secamos e morremos —
e outra nasce em nosso lugar.


Quando isso entendermos,
desapegaremos de pesos desnecessários,
de bagagens penosas
que entortam nosso caule.


E viveremos retos e eretos
até o dia de nossas pétalas
sob o chão caírem.

Comentários +

Comentários5

  • Rogério

    Muito linda!

    • V. Pacheco

      Obrigada

    • unknown lover

      Somos o tempo, e como tal, passamos e passaremos.

      • V. Pacheco

        Obrigada por comentar!

      • MAISA NALAPE

        Que poema profundo e delicado! Há uma beleza melancólica ao comparar a vida às pétalas que caem — efêmera, frágil e preciosa. Seus versos nos lembram de viver leves, desapegados e atentos à passagem do tempo. Encantador e tocante.

        • V. Pacheco

          Linda visão sobre o poema.
          Agradeço por ler!

          • MAISA NALAPE

            Gratidão. Desejo-lhe tudo de bom.

          • Maria dorta

            Belo poema. Resume em versos toda a efemeridade da vida! Bravos!

            • V. Pacheco

              Agradeço por lê-lo querida!

            • Carlos Hades

              Excelente poetisa, essa temática me fascina

              • V. Pacheco

                Agradeço amigo



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