Como pétalas que caem

Vitória Pac

Assim como existo hoje,
não sei se existirei amanhã.
O vento pode passar por mim
e, junto a ele, meu fôlego se esvair.


Quando achares que carregas o tempo no bolso,
lembra-te: é o tempo que te tem.
E seus ponteiros continuam a correr,
mesmo sem pilhas.


Não dá para retê-lo.
Verás o tempo escorrer pelos dedos.


Vaidade… tudo é vaidade.


Como a flor do campo florescemos
e, por um pouco de tempo, somos viris e vistosas.
Mas não eternas nesse solo da vida.
Murchamos, secamos e morremos —
e outra nasce em nosso lugar.


Quando isso entendermos,
desapegaremos de pesos desnecessários,
de bagagens penosas
que entortam nosso caule.


E viveremos retos e eretos
até o dia de nossas pétalas
sob o chão caírem.

  • Autor: Ser pensante (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de fevereiro de 2026 11:51
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 8
  • Usuários favoritos deste poema: Rogério
Comentários +

Comentários2

  • Rogério

    Muito linda!

  • unknown lover

    Somos o tempo, e como tal, passamos e passaremos.

    • Vitória Pac

      Obrigada por comentar!



    Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.