Como pétalas que caem

Vitória Pac

Assim como existo hoje,
não sei se existirei amanhã.
O vento pode passar por mim
e, junto a ele, meu fôlego se esvair.


Quando achares que carregas o tempo no bolso,
lembra-te: é o tempo que te tem.
E seus ponteiros continuam a correr,
mesmo sem pilhas.


Não dá para retê-lo.
Verás o tempo escorrer pelos dedos.


Vaidade… tudo é vaidade.


Como a flor do campo florescemos
e, por um pouco de tempo, somos viris e vistosas.
Mas não eternas nesse solo da vida.
Murchamos, secamos e morremos —
e outra nasce em nosso lugar.


Quando isso entendermos,
desapegaremos de pesos desnecessários,
de bagagens penosas
que entortam nosso caule.


E viveremos retos e eretos
até o dia de nossas pétalas
sob o chão caírem.

  • Autor: Ser pensante (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de fevereiro de 2026 11:51
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 76
  • Usuários favoritos deste poema: Rogério, MAISA NALAPE
Comentários +

Comentários5

  • Rogério

    Muito linda!

  • unknown lover

    Somos o tempo, e como tal, passamos e passaremos.

    • Vitória Pac

      Obrigada por comentar!

    • MAISA NALAPE

      Que poema profundo e delicado! Há uma beleza melancólica ao comparar a vida às pétalas que caem — efêmera, frágil e preciosa. Seus versos nos lembram de viver leves, desapegados e atentos à passagem do tempo. Encantador e tocante.

      • Vitória Pac

        Linda visão sobre o poema.
        Agradeço por ler!

        • MAISA NALAPE

          Gratidão. Desejo-lhe tudo de bom.

        • Maria dorta

          Belo poema. Resume em versos toda a efemeridade da vida! Bravos!

          • Vitória Pac

            Agradeço por lê-lo querida!

          • Carlos Hades

            Excelente poetisa, essa temática me fascina



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