Poema sem destinário.
Guardo um lugar à mesa para um convidado sem rosto.
Escrevo cartas para um endereço que o vento ainda não me deu.
Espero alguém cujo nem sei o nome.
O meu relógio cansou-se de marcar as horas de um encontro adiado.
Meus amigos desistiram de me ver chorar por um motivo que nem sequer sei qual é,
Há um silêncio no meu peito que tem a forma de algo que nunca vi.
Espero um pedidos de desculpas, sem nem haver um alguém com culpa.
Espero uma despedida, sem nem existir um adeus convencional.
Não sei o que procuro, mas reconhecerei o som quando bater à porta.
Sinto falta de uma presença na qual nunca presenciei.
Não sei se espero o nascer do sol ou apenas o fim da escuridão.
Perdi o rasto do que procuro, mas não perdi a vontade de o encontrar.
Sonho com um desejo sem sobrenome ou morada.
Se nada vier, que a minha espera tenha sido o meu modo de estar vivo.
Aprendi a amar a espera, porque nela tudo ainda é possível.
Talvez tenha me apegado com a esperança mesmo sem possibilidades.
E se nada vier, que fique o registo: eu estava aqui, e estava pronto.
Fecho a porta, mas não a tranco, o vácuo que deixas é agora a minha companhia.
Não sei se vem, mas se vier, que me encontre a sorrir para o nada.
Apago a luz. Se o que espero for sol, ele saberá como me iluminar.
E se for a lua? que me ensine a ser luz mesmo na minha própria escuridão.
Escrevo para o que não tem nome, para que o papel lhe dê um corpo.
Escrevo cada verso, como um convite para finalmente aparecer.
Dedico estes versos ao 'talvez', o único mestre que me ensinou a escrever.
Se este poema for lido por ninguém, então ele chegou exatamente ao seu destino.
Não procures um nome no topo da página, este verso nasce órfão de quem o receba.
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Autor:
mizukiii (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 23 de fevereiro de 2026 08:47
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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