Há um idioma que não se aprende nos livros
nem se conjuga em verbos
vive na pele
o abraço
É ponte lançada quando as palavras desabam
é casa improvisada no meio da tempestade
é teto de braços cobrindo
a nudez do medo
E quando o mundo pesa nos ombros
e a coragem se esconde em algum canto escuro
um abraço chega
como quem diz
“Fica, eu aguento contigo”
Ele não resolve contas
não desfaz perdas
não apaga ausências
mas sustenta o que ameaça ruir
Há fragilidades que só se atravessam assim
peito contra peito
coração ouvindo coração
respirações tentando encontrar
um mesmo ritmo
No abraço
a dor deixa de ser solitária
divide-se
e, ao dividir-se
fica menor
É estranho
como dois corpos podem criar
um espaço onde o medo se aquieta
e a esperança reaprende a caminhar
E em momentos de queda
o abraço não é fuga
é raiz
é lembrança silenciosa
de que ninguém precisa ser forte
o tempo todo
Porque há dias
em que a maior forma de coragem
é simplesmente
deixar-se envolver.
MAYK52

Offline)
Comentários2
Boa noite poeta! Belo e verdadeiro seu poema. Às vezes, um abraço pode salvar uma vida. Meus parabéns! Abraço poético.
Boa noite, cara Vilma! Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
Abraço e boa noite.
Nunca vi um poema que traduza tão bem como seu poema. Parabéns, amigo!
Olá, amiga Drica.
Nada mais reconfortante do que um abraço. Por vezes, basta esse abraço, para que o nosso coração se sinta mais reconfortado.
Muito obrigado, estimada amiga, pelo teu gentil comentário.
Beijinhos!
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