Diante de tanto,
perdido do todo.
Procura dentro de ti
o que tanto buscou fora
um centro, um cerne.
Tua realidade.
Dissolve a presença,
perde-se do teu eu,
grita.
Diante de toda perdição
o caminho surge,
não o ver.
Grita.
Esbofeteia o ar,
acerta a própria face,
chora,
busca a ti mesmo.
Sabe agora o que quer?
O vácuo não responde.
Grita o eterno que ecoa longe.
E se refaz,
incapaz de agitar outras frequências.
Uma contínua busca do quase nada.
Teu teatro é apenas teu
Tua lama é composta pelos teus próprios excrementos.
És tu quem cospe o teu enredo,
és tu que se moldas no barro.
És o teu único ponto.
Levantas-te,
e grita.
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Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 19 de fevereiro de 2026 09:53
- Comentário do autor sobre o poema: Aqui falamos sobre o momento em que o grito deixa de ser reação e passa a ser fundação. Quando o sujeito abandona a busca por culpados e assume que o que o aprisiona é também o que ele sustenta.
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 5

Offline)
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