O Prólogo de Âmbar

Versos Discretos

Capítulo I. 
O cenário inicia-se na contemplação da sua alvura nívea, 
uma pele tão clara que parece emanar luz própria, 
contrastando com as sombras que dançam nas curvas de seu corpo. 
Meus olhos percorrem a opulência de seus seios, 
duas colinas de marfim que desafiam a gravidade, 
culminando em vértices de um rosa pálido e urgente.

Desço, então, como um peregrino ao vale sagrado. 
Meus lábios, sedentos de verdades antigas, 
encontram abrigo entre a seda de suas coxas. 
Ali, no epicentro de sua feminilidade, busco o elixir oculto. 
Provo o mel que transborda de sua corola, 
um néctar viscoso e quente que adocica minha língua enquanto 
seus dedos se enroscam em meus cabelos, 
ditando o ritmo dessa busca pelo centro da terra.

Capítulo II. 
O desejo deixa de ser um sussurro para tornar-se um clamor mineral. 
Há um conflito estético e sensorial: 
o meu falo, túrgido e imperioso como um cetro de mármore pulsante, 
reivindica o seu lugar. O ar torna-se denso, 
saturado pelo aroma da entrega.

Ela, em um gesto de devoção pagã, 
envolve com sua boca a minha urgência. 
Sinto o veludo de sua garganta, o calor úmido que acolhe a minha turgidez, 
transformando o aço em fogo. 
É uma batalha de sentidos onde a rendição 
é a única vitória possível.

Capítulo III. 
Chega o momento em que as metáforas se fundem à realidade bruta. 
Posiciono-me diante do portal de sua existência, 
a flor de pétalas túmidas que se abre para me receber. 
A entrada é lenta, uma conquista milimétrica 
onde o meu vigor penetra a sua umidade primordial.

O encontro da minha dureza com a sua maciez gera um sismo silencioso.
Movimentos que ecoam o vaivém das marés,
onde cada impulso me leva mais fundo em sua essência, 
e cada retiro é uma promessa de retorno mais intenso.

No auge do embate, o mundo desaparece. 
Somos apenas dois sistemas nervosos colidindo, 
uma explosão de luz branca que desintegra a lógica
 e nos deixa suspensos no vácuo do prazer absoluto.

Capítulo IV. 
Quando a tempestade amaina, restam apenas os destroços de nossa sanidade. 
Nossos corpos, agora pesados e satisfeitos, 
repousam como estátuas que acabaram de ganhar vida e, exaustas, voltaram ao repouso.

O suor brilha sobre a sua barriga feminina como orvalho sobre o linho. 
O silêncio retorna, mas agora é um silêncio cúmplice, 
preenchido pelo eco do que fomos durante aqueles instantes de eternidade. 
Olho para você e vejo a paz de quem conquistou o próprio céu através do abismo.



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