MAMBI-BÔ

MAISA NALAPE

 Na escola onde aprendi

as primeiras letras do mundo,

na MAMBI-BÔ,

aprendi também

as primeiras formas de amar a amizade.

 

Entre cadernos gastos

e quadros cheios de sonhos,

fazíamos concursos de poesia,

dançávamos como se o recreio

fosse o maior palco do universo,

encenávamos teatros

onde a vida ainda era leve,

e jogávamos como se perder

nunca fosse realmente perder.

 

Eu tinha a minha turma —

mas o meu coração

não tinha fronteiras.

 

No recreio,

eu atravessava mundos,

criava laços com colegas

que não eram da minha sala,

mas eram da minha alma.

 

Crescemos.

 

O tempo fez-nos adultos,

com responsabilidades,

com cicatrizes,

com caminhos diferentes —

mas o respeito ficou.

 

Em 2020,

quando o mundo parou

por causa do coronavírus,

nós aproximámo-nos ainda mais.

 

E um dos nossos

partiu.

 

Um irmão de grupo.

 

Que Deus o tenha

em luz e paz.

 

Foi ele quem criou o grupo,

quem pediu que nunca nos afastássemos,

que mantivéssemos o contacto,

que lembrássemos sempre

das nossas aventuras,

da nossa parceria

desde adolescentes sonhadores.

 

Hoje, quando falamos,

não somos apenas adultos.

Somos memória viva.

Somos infância que resistiu ao tempo.

Somos promessa cumprida.

 

Porque amizade verdadeira

não envelhece —

cresce.

 

E enquanto nos lembrarmos,

ninguém parte por completo.

  • Autor: MAISA NALAPE (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de fevereiro de 2026 08:28
  • Comentário do autor sobre o poema: Emocinsda demais, não tenho palavras.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Em coleções: Maisa Nalape.
Comentários +

Comentários2

  • Luciel Saintl

    Belo poema, e o que ele expõe, a meu ver é muito raro. Acredito que amizades de escola sobrevivendo ao tempo e à vida adulta seja algo bastante difícil, mas também muito lindo. E se resistiu a tanto, também há de resistir à morte. Tive alguns poucas amizades na escola que eu achei que durariam para sempre, todavia... Enfim. Parabéns p3la obra.

    • MAISA NALAPE

      Fico profundamente tocado com a sua leitura. Também acredito que amizades que atravessam o tempo — especialmente aquelas que nascem na escola, tão puras e intensas são raras e preciosas. Quando resistem às mudanças da vida adulta, tornam-se quase eternas.
      E mesmo aquelas que não permanecem como imaginávamos, deixam marcas bonitas na nossa história. Às vezes não duram para sempre na presença, mas permanecem na memória, no que nos ajudaram a ser. Um dos colegas de infância morreu, aquele que manteve união de todos.

      • Luciel Saintl

        Sim, presença simbólica é tão importante quanto a concreta. Meus pêsames, poeta...

        • MAISA NALAPE

          Gratidão. Desejo-lhe tudo de bom.

        • Arthur Santos

          Poema repetido que já comentei... 🙂



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